humano. demasiado humano. perdidamente humano. serenamente exposto. retirado. humano. em vias de. processo. camada. estornado. repouso. humano. querer. poder. cheirar. remar contra a maré. humano. servir. pedir. dar. receber. huma
no.
sentir. penar por pura falta de opção. humano. sentar a beira do mar. olhar o sol se por. humano. da janela do sétimo andar se jogar. humano. correr. rir. chorar. gargalhar. nutrir. passear. humano. pintar o sete. tomar sorvete. reter orgasmo. ir embora logo cedo. humano. run for your life. humano. não olhar para trás. humano. agrupar. agregar. acolher. humano. ser quem não quer ser. humano. ser e não poder ser. humano. ser e querer ter. humano. implorar. não humano. aproveitar. deixar a vida te levar. humano. não percorrer. caminhar. humano. dançar até
o sol raiar. humano. deitar e ver a estrela brilhar. humano. ler e não entender. humano. ler e compreender. humano. cantar. berrar. encher a sala com o som da sua voz. humano. não enxergar. humano. não querer enxergar. desumano. sentar e esperar. não humano. sonhar. humano. levantar. fazer e acontecer sem machucar. humano. beber. comer. excretar. humano. ligar a televisão. ligar o som. ligar o coração. humano. medir. calçar. vestir. dormir. acordar. humano. dirigir até altas horas pra ouvir aquele cd inteiro que te faz pirar. humano. não saber trocar o pneu. humano. ter alguém sempre pra te ajudar. super humano. ligar para quem merece. humano. não ligar pra quem não merece. bem humano. pedir atenção. humano. viver. humano. bem humano. muito humano mas desumano.
7.1.07
6.1.07
com armas nada amigáveis em punho
impotência.
realmente o ar que me cerca, me comprime.
intensamente impotente. não há uma veia no meu corpo que não pulse quieta, calada, muda, retalhada. estou a espera de um milagre e ele não cai sobre terra alguma.
queria falar qualquer coisa que tirasse essa sensação de mim, mas não chega a me fazer sentir, só me cala.
existem alguns tipos de pessoa no mundo, disso eu sei.
aquelas que vivem as felicidades que foram entregues à elas ao nascer, como um pedigree, um certificado de nenhuma validade no mundo real.
tem aquelas pessoas que vivem das alegrias que saceiam a vontade de liberdade. aqueles que são o piso de fábrica do mundo como o conhecemos: miséria (the ultimate war zone, the everywhere red line).
tem aqueles que olham para o lado e não vêem, porque querem envelhecer quietinhos e achar que o sono dos justos virá.
e tem aqueles que não sabem pra onde correr, porque até então não entenderam o motivo real de tanta dor.
porque tanta dor?
alguns dizem que é o desejo, o pavio de tudo.
alguns dizem que é poder...
onde está esse poder? preso entre os dedos de quem me fez sentar aqui essa noite, pedindo por alguma sensação que não seja parecida com ódio contra tudo que é humano, inclusive contra minhas próprias mãos.
não vou perguntar novamente.
vou afirmar.
alguns dizem que é o desejo. outros dizem que é o poder. muitos dizem que é o dinheiro, o alimento de um sistema mais do que corrupto, irreal. eu digo que não é nada. nada. não há explicação. é claro como um lindo diamante de sangue, uma estrela cadente, a água correndo da fonte e como os olhos brilhantes de um lobo a procura de uma nova presa. mas não é nada humano, nada disso é humano.
não pode ser, se não, o que seria de mim?
quem sou eu afinal, se não humana? o que será de mim que me sinto assim tão pequena e impotente. não porque quis, veja bem, mas porque o mundo me fez. o que faço? como explico o que acabei de viver?
como faço pra escrever e dizer sem rodeios que o mundo precisa de um novo sonho, porque esse que vivemos está nos vigiando, com armas nada amigáveis em punho.
realmente o ar que me cerca, me comprime.
intensamente impotente. não há uma veia no meu corpo que não pulse quieta, calada, muda, retalhada. estou a espera de um milagre e ele não cai sobre terra alguma.
queria falar qualquer coisa que tirasse essa sensação de mim, mas não chega a me fazer sentir, só me cala.
existem alguns tipos de pessoa no mundo, disso eu sei.
aquelas que vivem as felicidades que foram entregues à elas ao nascer, como um pedigree, um certificado de nenhuma validade no mundo real.
tem aquelas pessoas que vivem das alegrias que saceiam a vontade de liberdade. aqueles que são o piso de fábrica do mundo como o conhecemos: miséria (the ultimate war zone, the everywhere red line).
tem aqueles que olham para o lado e não vêem, porque querem envelhecer quietinhos e achar que o sono dos justos virá.
e tem aqueles que não sabem pra onde correr, porque até então não entenderam o motivo real de tanta dor.
porque tanta dor?
alguns dizem que é o desejo, o pavio de tudo.
alguns dizem que é poder...
onde está esse poder? preso entre os dedos de quem me fez sentar aqui essa noite, pedindo por alguma sensação que não seja parecida com ódio contra tudo que é humano, inclusive contra minhas próprias mãos.
não vou perguntar novamente.
vou afirmar.
alguns dizem que é o desejo. outros dizem que é o poder. muitos dizem que é o dinheiro, o alimento de um sistema mais do que corrupto, irreal. eu digo que não é nada. nada. não há explicação. é claro como um lindo diamante de sangue, uma estrela cadente, a água correndo da fonte e como os olhos brilhantes de um lobo a procura de uma nova presa. mas não é nada humano, nada disso é humano.
não pode ser, se não, o que seria de mim?
quem sou eu afinal, se não humana? o que será de mim que me sinto assim tão pequena e impotente. não porque quis, veja bem, mas porque o mundo me fez. o que faço? como explico o que acabei de viver?
como faço pra escrever e dizer sem rodeios que o mundo precisa de um novo sonho, porque esse que vivemos está nos vigiando, com armas nada amigáveis em punho.
5.1.07
re-solução de 2007
ai, tá bom! já ouvi...
.
.
lá vai:
.
.
.
* tirar duas mil fotos por dia.
por vida.
por sina.
doismilesete.
doze.
três.
nove.
.doze.
três.
nove.
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lá vai:
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* tirar duas mil fotos por dia.
por vida.
por sina.
a mãe da peça...

"quando tinha sua idade ia ao banco para minha mãe e sempre me pediam a identidade... achavam que eu tinha quinze anos!"
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será que por algum acaso ou por mero decreto de algum deus no olimpo, a senhora minha santa mãe, continua com quinze anos? talvez por ser tua filha, minha percepção seja mais aguçada e desfavoreça qualquer comentário lógico... são os olhos brilhantes e apertados que deixam clara a vontade de correr por um campo extenso, debaixo de um sol ameno, trazendo flores diversas pra enfeitar a sua casa que já te fez perder a paciência... não é mamãe? foram os cachos negros do teu cabelo que carregaram você pra longe do teu piano, entregando tanta vida em nome dos teus... não foi mamãe? só podia ser um homem com cara, mão e peito de pai pra te tirar daquele sonho e te jogar em outro... não é lucinha? ele te chamava de mãezinha... e tudo que poderia dar errado virou vontade de chorar de alegria porque n
ão existe gente assim tão criança e tão forte quanto você, querida. como uma virgem, passeando pelo mundo, achando tudo muito lindo e se doando a tudo com verdadeiro ar de colegial, mesmo depois de cinquenta anos... você ainda usa suas saias pregadas nos seus sonhos mamãe? ainda toca chopin pra chorar? ainda pula carnaval e teima em usar a flor no cabelo? suas saias ainda cheiram a alfazema? seu sorriso ainda preenche o mundo? sim, sim, sim...
.
.
como é mais do que bom te ter... no meu dia, na minha noite e no meu corpo todo. porque sou sua e eternamente dele.
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pra você ter certeza que não foi nada em vão.
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será que por algum acaso ou por mero decreto de algum deus no olimpo, a senhora minha santa mãe, continua com quinze anos? talvez por ser tua filha, minha percepção seja mais aguçada e desfavoreça qualquer comentário lógico... são os olhos brilhantes e apertados que deixam clara a vontade de correr por um campo extenso, debaixo de um sol ameno, trazendo flores diversas pra enfeitar a sua casa que já te fez perder a paciência... não é mamãe? foram os cachos negros do teu cabelo que carregaram você pra longe do teu piano, entregando tanta vida em nome dos teus... não foi mamãe? só podia ser um homem com cara, mão e peito de pai pra te tirar daquele sonho e te jogar em outro... não é lucinha? ele te chamava de mãezinha... e tudo que poderia dar errado virou vontade de chorar de alegria porque n
ão existe gente assim tão criança e tão forte quanto você, querida. como uma virgem, passeando pelo mundo, achando tudo muito lindo e se doando a tudo com verdadeiro ar de colegial, mesmo depois de cinquenta anos... você ainda usa suas saias pregadas nos seus sonhos mamãe? ainda toca chopin pra chorar? ainda pula carnaval e teima em usar a flor no cabelo? suas saias ainda cheiram a alfazema? seu sorriso ainda preenche o mundo? sim, sim, sim....
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como é mais do que bom te ter... no meu dia, na minha noite e no meu corpo todo. porque sou sua e eternamente dele.
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pra você ter certeza que não foi nada em vão.
4.1.07
meu filho vai se chamar Dylan...

"E do primeiro declive da carne, eu aprendi a língua do homem, para mudar as normas de pensamentos. Na linguagem pedregosa do célebro, obscurecer e tricotar um remendo de palavras novamente deixado pela morte que em seus campos escuros, necessita do calor tépido de alguma palavra. As raízes da língua concluem-se em um câncer metastático, nada mais que nome, onde fantasias têm seu lado exclusivo. Eu aprendi os verbos do desejo, e tinha meu segredo; O código noturno tocou em minha língua; O que tinha sido um, eram muitos sons benéficos. Um útero, uma mente vomitou o corpo, o seio sugara para terminar a febre; Da dissolução do céu, eu aprendi a multiplicar, as duas carcaças esféricas que giravam numa pontuação; Milhões de mentes sugara tal alimento como aforquilhar meus olhos; A juventude condensou; as lágrimas da primavera dissolvendo no verão e as centenas estações; Um sol, uma maná, aquecido e alimentado."
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Dylan Thomas (desculpe se transformei "poema" em "prosa" mas é que nem ele curtia um rótulo...)
3.1.07
eu acho que não há nada mais vago do que a lembrança.
de tanto enteder que minhas lembranças foram produzidas por mim quase deixei de acreditar em mágica. depois de ler tanto nietzsche também larguei a mão da varinha de condão, deixei no canto o saco de presentes, a bola de cristal, o caminho das águas, as mãos que curam e sei lá mais o que. depois de tanto querer tanto pensei alto que deveria desistir do que supostamente é irreal, o que é e o que depende só do outro. abri mão do outro pelo poder do que há dentro de mim para doar ao outro a consciência pequena e translúcida dos meus ossos, nervos e de todos os sistemas do meu corpo.
eu pesei cada braço e perna, meu tronco e minha cabeça miúda, não cheguei a conclusão nenhuma.
quando percebi que do sonho que vivia transbordava mais vida do que a que era alcançada nos meus dias, morri. vou confessar que perdi eternamente a vontade da mágica. a mágica, meu amigo, não existe.
.
.
cheguei nesse ponto, nesse momento em que estou nua falando com você.
.
.
cheguei aqui e ainda não sei bem como mas uma coisa eu não perdi porque redescobri nessa minha negação.
.
.
.
.
o que é humano é o cume do objetivo final e comum à todos. o que é do humano, da carne, do peito e das mãos é meu também. é toda nossa essa humanidade. por mais castigada que seja, é a única, a ÚNICA coisa que nos resta.
de tanto enteder que minhas lembranças foram produzidas por mim quase deixei de acreditar em mágica. depois de ler tanto nietzsche também larguei a mão da varinha de condão, deixei no canto o saco de presentes, a bola de cristal, o caminho das águas, as mãos que curam e sei lá mais o que. depois de tanto querer tanto pensei alto que deveria desistir do que supostamente é irreal, o que é e o que depende só do outro. abri mão do outro pelo poder do que há dentro de mim para doar ao outro a consciência pequena e translúcida dos meus ossos, nervos e de todos os sistemas do meu corpo.
eu pesei cada braço e perna, meu tronco e minha cabeça miúda, não cheguei a conclusão nenhuma.
quando percebi que do sonho que vivia transbordava mais vida do que a que era alcançada nos meus dias, morri. vou confessar que perdi eternamente a vontade da mágica. a mágica, meu amigo, não existe.
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cheguei nesse ponto, nesse momento em que estou nua falando com você.
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cheguei aqui e ainda não sei bem como mas uma coisa eu não perdi porque redescobri nessa minha negação.
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o que é humano é o cume do objetivo final e comum à todos. o que é do humano, da carne, do peito e das mãos é meu também. é toda nossa essa humanidade. por mais castigada que seja, é a única, a ÚNICA coisa que nos resta.
"dee tea and ass pee"
ele e ela dividiam o aniversário, a dor, a entrega.
ele e ela eram dos dois o único com o mundo nos ombros, nos tornozelos, nas mãos com veias azuis saltando com o esforço de tanto carregar.
eles dividiam a pena, a verdade, a serenidade na morte.
dividiram (quase) a mesma trajetória na terra, o tempo que os restou foi o mesmo.
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ele e ela eram dos dois o único com o mundo nos ombros, nos tornozelos, nas mãos com veias azuis saltando com o esforço de tanto carregar.
eles dividiam a pena, a verdade, a serenidade na morte.
dividiram (quase) a mesma trajetória na terra, o tempo que os restou foi o mesmo.
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e muitos anos depois eu acreditei neles e
divido com eles a certeza de não se saber nada mesmo
porque as dores são as mesmas...
divido com eles a certeza de não se saber nada mesmo
porque as dores são as mesmas...
te desobrigo
então o que será agora, cabelos de cedro? nessa tempestade sem nome você vaga disforme.
e o que acha que sabe te engole, te prende nas chamas de quem sabe que te engana. você? não engana. mas me enganou...
em tese acho que se enganou, porque o olhar sempre estava longe, partido ao meio. e sei que até esse dia tudo isso continua igual. na voz não há certeza, certa firmeza de que tudo aí está conforme os planos... planos? que encantos que você dissolve!
nesses olhos arregalados, morre um pobre homem a cada minuto, perdido na própria danação que sua boca condenou, que pena menina... tão menina por casca em casa. tão mulher nas vontades, tão covarde nas ações. covarde por não ter o que quer? não, covarde por pura certeza do que não se quer e certeza de que não viverá por algo que quer, o que quer? quando penso em você uma tristeza tão pesada me toma, como uma nostalgia sem querer, cansada de sempre ter de ser quem ama. "feliz daquele que ama. o amado só recebe e nisso está sua infelicidade..." uma grande ana me disse isso no momento certo, no momento em que te vi partir daqui.
e o que acha que sabe te engole, te prende nas chamas de quem sabe que te engana. você? não engana. mas me enganou...
em tese acho que se enganou, porque o olhar sempre estava longe, partido ao meio. e sei que até esse dia tudo isso continua igual. na voz não há certeza, certa firmeza de que tudo aí está conforme os planos... planos? que encantos que você dissolve!
nesses olhos arregalados, morre um pobre homem a cada minuto, perdido na própria danação que sua boca condenou, que pena menina... tão menina por casca em casa. tão mulher nas vontades, tão covarde nas ações. covarde por não ter o que quer? não, covarde por pura certeza do que não se quer e certeza de que não viverá por algo que quer, o que quer? quando penso em você uma tristeza tão pesada me toma, como uma nostalgia sem querer, cansada de sempre ter de ser quem ama. "feliz daquele que ama. o amado só recebe e nisso está sua infelicidade..." uma grande ana me disse isso no momento certo, no momento em que te vi partir daqui.
2.1.07
thoughts...
a luz sem fundo, o cinza sem plano. é o momento em que os olhos não perderam nenhum centímetro de carne. tudo está visível, está perto de te abraçar. os olhos não são as janelas da alma, são as vozes,
os soluços,
os prazeres.
os delírios de quem ama, verdadeira a mente de quem ama, peça rara nos dias de hoje.
os soluços,
os prazeres.
os delírios de quem ama, verdadeira a mente de quem ama, peça rara nos dias de hoje.
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