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14.8.09

o gênio e a deusa






"Wallowing in the past may be good literature. As wisdom it is hopeless."
- Aldous Huxley

Logo após a morte do meu pai, encontrei um livro velhinho e gasto, amarelado e cheio de anotações em uma de suas estantes. Um entre tantos com as mesmas características, com as mesmas formas e cheiro de biblioteca do papai. Mas esse livro que peguei com gosto e curiosidade me marcou por ser talvez o único livro de toda a sua extensiva coleção totalmente em sua língua original: o inglês. Papai não sabia inglês, ou melhor, não queria aprender o inglês. Viveu uma boa parte da sua vida na França, Portugal e Itália, viajou por toda a América Latina dando palestras mas nunca se atreveu a tocar um pé nos Estados Unidos, e por muito tempo sofreu pelo meu sonho de acabar exatamente onde estou... Enfim. Esse livro me chamou a atenção por ser contra absolutamente tudo que meu pai parecia ser... até aquele momento. O livro antigo e cheio de história agora acabava em minhas mãos, essa menina de catorze anos que já falava inglês e devorava essa língua como também bebia café com leite com pressa pelas manhãs, assistia filmes de hollywood como se fossem histórias escritas por ela mesma e adorava a música como se adora a algum deus distante porém eternamente presente. E agora esse livro ali, quieto e absolutamente barulhento, não parava um segundo diante de mim sem me implorar por sua leitura, por seu entendimento e lá fui eu...

The Genius and The Goddess de Aldous Huxley se transformou ali em minha obra favorita desse autor, mesmo depois de tanto trabalho sobre Brave New World.

Não é a toa que amo tanto essa história...

***


*foto: papai e irmão.

31.7.09

dois pra lá, dois pra cá



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Ai... Ouvir Elis... É como catar pedrinhas no asfalto e enterra-las de volta dentro do meu umbigo. Rasgar a sola dos sapatos e resolver que de pés nus contra a areia é que se caminha direito mesmo que errado... Resolver que engolir o choro é coisa de sujeito de fraca coragem e péssima índole enquanto se embebeda de guaraná. Ouvir Elis é de fato, brasileiramente bom demais...


***


18.1.09

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"(...) Acho que não gosto de nada do que vejo, vejo sal. Vejo ferida e sal, não me convêm. Enquanto abordo minha própria existência sou impelida a me redimir por terra. O que será que eu fiz pra merecer isso? O jazz toca. Certas vezes me incomodava, como se chama isso quando a luz está baixa e o som quase não existe mas é tão intenso que te toma sem tomar? Sei lá. Chamo de jazz. Devo ser autista, às vezes me pego sentindo prazer em focar, focar, focar com tamanha intensidade que me cai em dilúvio o senso crítico. Será? Será."



***



fotos: chapéu de Lester Young, Billie Holiday, Dexter Gordon e Sarah Vaughan. Todas de Herman Leonard.

1.1.09


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certas coisas são atemporais...


como por exemplo minha total falta de vontade de "interagir" com outras "pessoas" em momentos festivos como por exemplo "virada" de ano, "ceias" natalinas, "festas"de aniversário ou "festas" quaisquer que alguém invente de teimar em me fazer aparecer. não sei porque, só sei que sempre foi assim, mas meu lado otimista/pessimista me diz que esse ano de 2009 não será nadinha como o anterior principalmente porque nada que valha a pena se viver vale ser sacrificado...é e... VIVA!



que esse primeiro dia do ano 2009 seja como deve ser: mais um dia de vida e menos um dia de dor de cabeça porque 2008 não acabava nunca...


***

29.12.08

temperamental eu fico

a luz pelas frestas, dentro da caixa, por cima de um solo qualquer que arredio se desprende perdendo a raiz que o mantinha sendo o chão de muita gente. eu aprendi a reler por entre os tempos, um tempo único restante em si que sem dó não passava de mi e que logo mais virava pó. reagi, sem trapos amarrados no pescoço. reagi e reneguei qualquer envolvimento comigo mesma, eu quis. a fina luz que entrava pela fresta na mesma caixa amarela, meio verde, meio musgo me deixou, eu deixei de ser, o fato é que tudo se deixou de vez como se passado o ponto passaria o remendo. eu bem que quis deixar viver mas cortei o mal pelos cabelos, mal me entendo.

***

16.12.08

de l'odorat


Ele. Era ele pois era uma entidade sua, separada de qualquer ser que seria único se fosse junto a ele. Era uma dor quente de se apreciar, de longe... Pois era conhecida por todos a sua reputação, conseguiria transformar a menor e mais delicada pétala em destroços que, como se um sopro leve tivesse por si só tomado conta de tudo, estaria desfeita em segundos com um beijo único, mas fatal. Era preguiçoso também, de uma certa forma gostava de se prolongar em cadeiras ordinárias pela calçada observando o movimento. Quem passava que fosse atraído por ele, não desviava olhares, era com prazer que ele os encarava e devolvia um afeto imperfeito. Irreal. Surreal. Era de se esperar, foi criado para isso. Nasceu de um sopro, reticente, nasceu do fim de uma vida. Era de se algemar por tantos crimes cometidos contra mulheres que, de indefesas nada possuíam. Era de se trancafiar, mas ninguém tinha coragem. Continuavam a deixá-lo livre para ensinar algo ao resto dos eles pelo mundo por onde perambulava. Mantinham sua chama acesa por quanto tempo fosse, até que alguém tomasse dele o seu reino.

***

foto daqui.

16.11.08

Motivos para se deixar ser - Parte IV





"Eu queria que você ficasse para sempre."

"O seu para sempre é demais para mim"

"É o tempo de um piscar de olhos, que por fim livre pode ser do tamanho que nos quisermos..."

"Eu nunca soube me concentrar, porque, apesar do que faço, não sei pensar em nada que valha a pena se sentir antes... sou de barro..."

"Mas nunca te pedi pra ser de qualquer outro jeito"

"Nem poderia."

"Pois seja quem quer que você seja, pois te quero assim..."

Ela se aniquilava ao se encontrar no reflexo dos grandes olhos dele que, na maioria das ocasiões eram pequenos pois acanhados buscavam qualquer coisa que pudessem confiar. Com ela, ele não precisava disso. Com ela ele não precisava procurar e com uma certa duvida presente sempre se jogava contra o seu muro, que tinha de fato uma firme base. Ela era verdadeiramente um perigo para ele que, sem muito o que perder - ou pelo menos era o que pensava - esperava hesitante por uma resposta que prestasse algum alento mais otimista aos seus temores... Ele vivia cheio deles e ela era o antídoto pois se mostrava tão sem medo, apesar de esconder uma terrível verdade: tinha tanto medo quanto ele, e talvez, pensava consigo mesma, teria mais se não se portasse como se não tivesse. Os dois se seguravam obstinados como se disso dependesse suas vidas... Era o fim de um dia passado como se nunca tivesse existido. Era nítido. Enquanto os dois que se excediam em um, quietos se entre olhavam. Algo morria.

Não era o amor, não. Ele nunca existiu até aquele momento.

Era o sentimento lascivo que nutriam por suas superfícies que encontrava um meio comum quando o sol encontrava o mar. Era a imortalidade de um dentro do outro que agonizava finalmente ali, para que qualquer coisa sem nome criasse asas.



... NÃO SEI SE CONTINUA....

11.11.08

Motivos pra se deixar ser - Parte III


O telefone tocava alto, mais alto do que o que sonhava. O desassossego havia batido à porta. Ao atender, ainda pasmado, enrolava a língua que sem muita consciência embrulhava palavras sem permissão, balbuciando algo de tal forma que fazia quem estava do outro lado não saber o que pensar a respeito. Depois de algumas trocas de qualquer sinal que fosse que o tirasse daquele estado meio morto-vivo, semi apático em que se encontrava, a voz o pareceu mais familiar. Mais inteira. E era o que era, inteira ela, a quem ele desesperadamente esperava para que por alguns poucos minutos pudesse ter mais do que tempo para trocar o que sentia. Queria a ausência dele. Era ela.

***


Enquanto tomava um banho quente, que espalhava aquele calor fino por toda a casa por causa da elevada temperatura do seu chuveiro, a porta da frente se abria calmamente. Botas surradas tocavam suas solas pelo assoalho notável daquela casa. Era realmente mais do que ela esperava ver. Os passos chegavam mais perto, mas desatento ele terminava de se vestir calmo. Ela aguardava de pé, da mesma forma que chegou parou, no meio da sala, sobre o chão maciço tão pesado quanto ela se sentia ser.

***

O cabelo ainda molhado marcava a camisa na altura dos ombros e sentindo-se enjaulado descia as escadas às pressas, na mesma urgência que pressentia que estaria perdendo tempo, e estava. Ela estava ali, muda. Casaco nas mãos, bolsa no ombro esquerdo - sempre no ombro esquerdo - olhos contornados com força, quase com brutalidade, lábios cerrados como os tinha quando se conheceram... Era uma dor e um prazer revê-la. Era um fim qualquer que não se dava conta ainda, mas sentia, era palpável, afiado. Ele sorria. Ela o encarava. Ele se movia até ela que, sem reação o observava quase fria, quase se não fosse pelo vulcão que entrara em erupção ao passar pela porta mas que se continha como gostava de achar, ele não acreditava.
Antes de chegar mais perto ele parou e disparou a olhar quem quieta estava ali, a sua frente, resumida, e se colocou a sorrir, ela hesitante perguntou "o que está a fazer?", ele sorria. Ao chegar ainda mais perto sentiu o perfume e a abraçou, prendeu os braços em volta do seu tronco forte e austero, confortante. Seu peito era o seu fim, sentia isso. Ajoelhava-se enquanto beijava seu ventre, ela então o acariciava os cabelos como uma mãe contente, mexia em suas orelhas, arranhava com delicadeza a nuca de pele fina e macia, o amava de perto então.


...CONTINUA...

9.11.08

Motivos para se deixar ser - Parte II

Afiado ele respondeu a altura. Tinha pressa. E quando a chuva não da trégua? A quem eu devo correr? E era a chuva quem respondia com mais urgência sem meias palavras. Ele era urgente e gostava de quem o era junto dele. Enquanto esperava pregava a fina pele que recobria a fronte na camada grossa, quase a prova de balas do vidro de uma janela que por pouco era completamente ignorada até então. Ele observava as lágrimas na janela escorrendo, como um bom cliché. Ele era um cliché que respirava e que pedia por mais do que jamais teve: ela. Um cliché quase que sem lugar na historia, um cliché mal empenhado. O sono, ele esperava, viria mais cedo ou mais tarde mesmo que se precisasse tirar um dia para se jogar na inércia de um repouso profundo, mas viria. Ele aguardava e em silencio se perguntava se deveria se manter assim por mais tempo.

***

A manha chegou. Os pés ainda calcados sobre a mesa de centro, a TV ligada sem qualquer som, pessoas alegres e saltitantes na tela. Os olhos dele pregados ao teto como se houvesse alguma solução naquele fundo branco inteiro, uma tela pronta para ser preenchida, e ele a preenchia com imagens de qualquer coisa que poderia estar a viver agora, mas se estivesse não seria tão bom, e mesmo se o fosse não seria tão atraente...

Ele aceitava. Compreendia com um conhecimento fora de série, era um modo de se olhar a si próprio que calado caia por terra desarmando o seu próprio ser, ele se desarmava por se entender e pedia quieto por dois trechos de insanidade só para se perder no que queria ter. Queria ser livre do seu discernimento. Queria ser. E ao sorrir percebendo o quanto se expunha a si mesmo fechou os olhos, sereno.

Dormia em paz pela primeira vez em dias...



...CONTINUA...

7.11.08

Motivos pra se deixar ser - Parte I

Ele tinha queimado os dedos no bule. Pela janela as crianças eram observadas de longe, por um pai um pouco ausente mas muito cheio de amor, as vozes e gargalhadas que preenchiam a casa eram de se guardar. O tempo virou. No telefone, sua mulher respondia seca e que aguardaria la fora, ele pediu que entrasse, mas a resistência era maior, algo havia morrido sem volta e ele ainda tentava compreender. Duas chamadas. Duas chamadas não atendidas. Ele logo tentaria novamente. Era um dia como qualquer outro e sem a menor sombra de duvida ele havia feito algo de errado. As crianças voltavam para dentro da casa e o jantar estava pronto.

Quase que sem querer ele parecia preocupado. Pedia ajuda, qualquer ajuda que qualquer um conseguisse dar. Os pratos e talheres se esbarravam, ele olhava inquieto, respondia com carinho mas o olhar estava distante.

Enquanto os talheres não parassem de causar alarde, ele não se acostumaria com a sensação de se esperar. Não tinha o privilegio da paciência. O peito reclamava.

Das duas uma, ou ele deveria aprender a ceder ao tempo dela, ou ela iria causar o seu fim, o fim de um começo que estava ainda por vir. Ele não queria perder o sangue frio.

Sua mulher chegou rápido, fora menos tempo do que ele esperava esperar e o sol se punha como um quadro que seria feliz se não fosse doloroso. Ele realmente precisava que ela entendesse... Mas ela não alcançava a sua falta de lógica. O tempo passava.

***

Era quatro da manha. Quatro da manha, ele pensou afiado. O telefone vibra, uma mensagem enviada às pressas. Ele lê calado e preso, preso num tom quase sem tréguas. Era ela, e quase conseguia ouvir sua voz através do aparelho. Eu não durmo bem e sei que você da mesma forma pena para tal... Em dias de guerra, durma com os olhos abertos - ela dizia.

Em dias de guerra, ele repetia.

Sua calma se esgotava com um trovão la fora. A chuva começava a importunar...




...CONTINUA...

15.10.08

the harvest moon let the sun take its place


eu me deito sobre o sofá ao lado da minha cadela que é dourada e que aguarda com o couro e o pelo frios, como esperasse no lugar exato por onde o sol gosta de aparecer primeiro, e ele logo aparece. tímido no começo, quase sem forças. tem medo de quebrar o encanto do outono, que por essas terras deu a luz ao dia das bruxas, o famoso halloween. sim, o encanto do outono por onde eu ando é quase mísitico. é o que o povo que cresceu aqui mais tem de encantador, e o sol tem medo de destruir isso também. um raio quase anêmico atravessa a grande janela da sala e cai sobre o corpo dourado da menina que se deita ao meu lado, que está quieta, olhando para mim como eu olho para a janela. outros raios vem dizer olá, e se apressam para também timidamente pedir licença e ir entrando, com medo do frio lá fora. eu deixo. permito passagem porque mesmo antes tendo sérias questões a resolver com o camarada sol, sinto que mais do que tudo o nascer dele é todo dele. não posso pedir que deixe de ser da forma que quer ser, como ele não pede nada de mim e nunca irá pedir. eu permito. o outono que cede algumas horas do dia a qualquer que seja o caminho do sol a percorrer, recolhe como oferenda as folhas que caem, as frutas e legumes que estão sendo ceifadas, as noites claras de estrelas, as sombras que vivem nos becos e que acompanham as sombras de quem anda por eles. eu permito. como nunca permiti uma estação cobrar nada de mim, agora eu prometo trégua, por enquanto.


e o vento frio que eu respiro me dá mais uma nova e inteira realidade para viver: a minha.


***

pintura de carol nelson

11.10.08

Battle in Seattle - Acho que é o fim

Depois que vi esse filme, se esgotaram todas e quaisquer idéias para expressar o quanto o mundo não tem sentido. No fundo, eu creio, que quem luta pra dar voz pra quem não a tem, não merece um pedaço do céu, merece o mundo de volta. Merece a voz, o peito, o cravo fora dos pés e das mãos, a chuva de dor lavada e levada pra longe. Cada um carrega o seu peso, eu sei. Mas quando o seu já não tem mais distinção entre o pessoal e o comum, uma justiça muda (calada) atiça a cegueira alheia.

Quando alguém se doa e mais do que isso, se impede de viver para trazer os olhos do mundo de volta para o que interessa, uma lent
e à distância extrai algo indivisível do que registra, a humanidade do ser humano, e permite entregar em bandeja de plástico mesmo, a verdadeira glória de simplesmente se ter uma sensibilidade que deveria fazer parte de todos. Que simples isso que falei, não mostra o que realmente é a vida de quem se dá pela vida, de quem acredita nela... Talvez seja assim porque eu mesma não tenho muita fé nesta joça, nesse troço qualquer que da poder a quem o tem e o cospe na cara de quem não tem, sim, sim, a velha história. eu sei. Minha auto-crítica me impede de deixar o clichê passar batido, mas não tenho como ilustrar melhor essa história a não ser falando sobre essa eterna batalha travada entre o que tem e cegamente teme por perder e o que não tem e cegamente não vê - óbvio - que existem tantos iguais a ele, que se unissem forças não estariam nunca mais nessa mesma situação. É preciso se mover. É preciso enxugar o rosto enxarcado de sangue e lágrimas que de uma certa forma colorem a retina, é preciso recolher os corpos, amontoá-los aos poucos, prestando homenagem a quem não resistiu. É preciso secar as calças, secar as meias e vesti-las novamente antes de voltar às calçadas. É preciso driblar o medo, um medo só, um medo que não é só medo, é traição a si próprio, e assim que conseguir passar por isso, é necessário que se entregue à queda mais livre que jamais viverá, a de se entregar à liberdade em troca de pão... Para quem não conhecia a sua cara, até então.



- Mais especificamente sobre o filme: Filmado no Canadá e em Seattle, Battle in Seattle é dirigido pelo então ator e agora diretor estreante Stuart Townsend - não, ele não é parente do Pete do The Who - que namora uma das atrizes do filme, a estonteante Charlize Theron . Também no longa, Ray Liotta e Woody Harrelson tem papéis até que relativamente pequenos se você os comparar com os três principais ativistas na trama: Martin Henderson, Michelle Rodriguez e André Benjamin (o Andre 2000 do Outkast). O filme ainda conta com um elenco bem servido e com historias paralelas que tem todas algo em comum: a batalha nas ruas de Seattle. Pra quem não sabe, euzinha que vos fala tem um amor incondicional por essa terra (Seattle), primeiro por tudo que ela representa para a música, e segundo por ser a única cidade onde ainda existe gente pensante nesse país. Desculpe-me mas pelo amor de deus.... Algo está muito muito podre e fede no reino da Disneylândia. Mas é claro, já era de se esperar.


Enfim, por favor, dêem um JEITO de ver o filme, nem que seja no Youtube.



Boa noite.




*gentem! tá tarde, o texto deve estar cheio de erro e eu não ligo! um abraço.

26.9.08

"e a gente morre sem querer morrer"

se você ainda não ouviu "Acender as velas" na voz da Nara Leão você não sabe o que é dor aceita. te juro, eu que sei bem o que é isso, quando ouvi lasquei um "ah, entendi", e é uma daquelas coisas que só são encontradas se quem procura cavar no meio dessa brasilidade tão verde e tão amarela que cega de olhar! um dia desses, cave! cave sem fúria, sem medo, sem silencio, tem que cantar enquanto o faz e assim talvez você entenda como eu que o Brasil não é um pais, é uma forca maior que ele - ou provavelmente eu nem precisava falar tudo isso porque você já sabia isso antes de mim ate. a Elis que me perdoe, mas essa musica também merece um canto no meu coração que é do meu tamanho inteiro - olha que eu não sou pequena! - e junto de tantas outras, molda um ser um pouco amargo demais e esquisito demais e com auto-piedade demais pra se doar mesmo que seja de menos pra sua pátria. isso é pequeno sim, gostaria de poder fazer mais mas não quero. não agora.


bom dia, freguesia.


***

24.9.08

have they gone too far?


anotem. dia vinte e quatro de setembro de dois mil e oito, o sonho americano que vinha agonizando há tanto tempo - mais precisamente desde vinte de janeiro de mil novecentos e sessenta e nove, quando nixon tomou o poder - finalmente teve o seu último suspiro nessa noite de outono nessa terra tão estranha e bizarra, incrível e medonha que é os estados unidos da américa, que não é terra de ninguém. muito bem, nesse dia lembremos todos que sonhar não é mais permitido, não da forma que alguém vinha nos ensinando e que o mundo é sim, plano. pois agora, saiam por aí e dancem alegres e cheios de vida novamente, o mundo vai ter que aprender outro ritmo e vamos acreditando que dessa forma teremos que aprender também a sonhar em outro tom.

***

16.9.08

mademoiselle gabrielle


uma vez cortei meu cabelo "chanel", usei um "vestido preto básico" e coloquei meu "maiô" na bolsa e fui embora... sim, e descobri que devo isso a mademoiselle chanel(gabrielle 'coco' chanel). eu que odeio nomes da moda, tive que me derreter a história por trás do pretinho básico, por que já que é pra se entender a história do mundo, temos que nos preocupar também com quem a moldou.



diz a lenda que gabrielle chanel era uma moça cheia de vontades e excentrismos, além de sua verdadeira paixão por... chapéus! sim, ela começou fazendo chapéus. assim que, com a ajuda de seu eterno amor não finalizado - já volto nessa história - ela abriu sua butique na cidade da luz. durante guerra, confeccionou roupas para as enfermeiras e trabalhou com elas durante a noite, enquanto durante o dia tocava sua pequena loja. uma vez foi à praia e percebeu que os homens tinham traje de banho, mas as mulheres não! indignada voltou ao seu atelier e confeccionou o primeiro "maiô" visto até então, claro, era xingada na rua! suas roupas eram feitas de tecidos... confortáveis! imagine isso dentro da aristocracia e burguesia européia do começo do século vinte que dizia que mulher tinha que se vestir como se estivesse pronta pra não respirar! presa em roupas que nada mostravam de sua sensualidade e independência. mademoiselle chanel tinha um sonho! ver mulheres dependendo apenas delas mesmas até para escolher suas roupas... ela começou a fazer confecções de trajes assim como chapéus e foi ficando famosa com sua leve e feliz loucura até que um dia, o homem de sua vida, que não havia casado com ela porque ela pediu que esperasse, até que não dependesse dele para nada, foi a ver depois de muito tempo sem ter qualquer contato com gabrielle, mas antes de chegar a sua casa, o seu carro - que era coisa um pouco nova na época - foi de encontro com uma árvore e boyle - esse era o seu nome - morreu ali mesmo, com uma echarpe que ela havia feito para ele envolta de seu pescoço. foi então que, de luto, chanel confeccionou algo inédito até então, um vestido simples, reto, sem nada demais e preto, e a peça que ela não queria ter feito se tornou seu maior sucesso e sua maior tragédia...

não te tira o fôlego? tira o meu pelo menos e agora sou muito mais grata ao pretinho básico do que jamais fui.


***

3.8.08

na lata de lixo amassada

encontrei essa carta, na lata de lixo amassada, comida por ratos e manchada de óleo preto e grosso que cheirava a comida de semanas atrás. sem nome de quem escreveu ou pra quem deveria ter sido - ou foi - e uma duvida de se era importante ficou na minha cabeça... e aqui a reproduzo:



" When I stopped trying to fall asleep and got up, after I walked the dog a little bit so she would poo and pee and when I was ready to go to work, I saw the sun rising and I felt the cool breeze of the morning in my face and I wished you were there with me.

When I sat outside the cafe with a cup of coffee I wished you were there telling me about your day and your night and the time you were all by yourself. I wanted to know what you feel like and what you want to do...


I came back inside and read a bit about the history of United States presidents and their first ladies... I read about Hillary and Bill Clinton when they were young and all the things they went through together, I read about Barack and Michelle Obama and everything they went through together. I wanted to have a White House, where you'd be president and I'd be your first lady.... but I'd refuse to have my room at the east wing, I'd like to have one right next door to yours at the west wing and help you decide the future of our country... our little country....

I wish I had you right here so you'd show me this cool solo you came up with that reminds you of dog fashion disco - if I got the name right - and I wish you could forgive me for being such an annoying woman and would take me as I am, so I could be less of a witch... I share the same sign as Hillary and I think that says a lot haha.


I wanna be your first lady, your rock'n'roll wife, your wealthy queen, your poor man's wife, your exotic conquest and your mistress wise.


I guess all I wanted to say was I love you."



31.5.08

introducing... The Beatles!


"Everywhere there's lots of piggies living piggie lives,
You can see them out for dinner with their piggie wives,
Clutching forks and knives to eat their bacon."
The Beatles - Piggies


Gente, eu sei, matem-me! Eu quero hablar sobre eles. Uma pitada de tédio, outra de café e uma boa dose de sorvete me fez querer ouvir Beatles, dai fui ouvir, sabe? E acabei me dando por conta de uma coisa (que eu já tinha pensado antes): eles não são NADA demais! Meu amado estudou TODAS as musicas dos Beatles porque para os baixistas, Paul McCartney -em termos de composição- e Mozart! Mesmo assim, se voce ouvir e ouvir e ouvir e cantarolar e pular e chorar vai ver que não tem nada de mais na musica deles... Agora, se você assiste um show gravado, uma entrevista antiga, se vê algumas fotos deles todos juntos e ainda mais se você estudar um pouquinho de cada um deles, você entende melhor a falta de "algo a mais" no que eles faziam, o algo a mais - pra mim - eram ELES! Sabendo disso a vontade de ouvir e cantarolar e pular e' triplicada e ate me da uma certa náusea a cara da pobre da Yoko! Então, why don`t we do it on the road!? No one will be watching us! Tire o po' dos cd`s e discos velhuscos e botem Mr. McCartney, Lennon, Harrison e o bundinha do Starr pra tocar porque da vontade de ser adolescente em 1964 e querer chorar por cada um deles (no meu caso mais pelo John) e tomar chá comendo biscoito 'as cinco.


besos e let it be!



*sorry pela falta de acentos...


***