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18.1.09

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"(...) Acho que não gosto de nada do que vejo, vejo sal. Vejo ferida e sal, não me convêm. Enquanto abordo minha própria existência sou impelida a me redimir por terra. O que será que eu fiz pra merecer isso? O jazz toca. Certas vezes me incomodava, como se chama isso quando a luz está baixa e o som quase não existe mas é tão intenso que te toma sem tomar? Sei lá. Chamo de jazz. Devo ser autista, às vezes me pego sentindo prazer em focar, focar, focar com tamanha intensidade que me cai em dilúvio o senso crítico. Será? Será."



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fotos: chapéu de Lester Young, Billie Holiday, Dexter Gordon e Sarah Vaughan. Todas de Herman Leonard.

11.1.09

sweet pumpkin

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Acho que Clarice me mataria se me visse descabelar tão frequentemente. Sei que Rimbaud se enjoaria de mim. Os constantes pedidos de afeto o regulariam e me deixariam na mão, enquanto a estrada o chamasse eu faria pirraça tirando o pó do chapéu redondo dele que teria roubado em seu sono. De certo Hilst daria risada e fumaria mais um enquanto Baker tocaria quietinho no canto com medo da polícia. "Branco não tem que ter medo da polícia", "Mas amore, não estamos mais nos anos cinquenta e aqui não é ali"... Alguém me pergunta se eu gosto de Davis, eu respondo que não. Coltrane faz mais meu estilo mas não rasgaria a camisa por ninguém, nem mesmo por McRae, talvez por Billie -- mesmo sem engolir minha candura. Certamente Oscar se irritaria comigo e minha "simpatia" por todos aqueles que são injustamente chamados de underdogs, me daria algumas baforadas na cara e me deixaria a sós em algum canto escuro, enquanto Sylvia me daria a mão e me ensinaria a temer. Me mostraria o mundo com desdobras nas entrelinhas enquanto o sol se colocaria ao seu favor. Adoraria ver os cabelos ensolarados dela emoldurando tamanha escuridão. O incrível é que com razão Yates escreveria um livro sobre mim, contando meu fim nessa jornada vazia e sem esperança. "É necessário muita coragem para perceber a falta de esperança", eu diria que sim com a cabeça -- nada é tão certo quanto falta de esperança -- e voltaria a um banco em uma praça qualquer, tomando um ar.


Sei tão pouco de mim e ao mesmo tempo sei tanto do que se passa aqui...


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