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21.6.09

detalhes inúteis





What do you most dislike about your appearance?

Enormous thighs that are good for running fast, but very difficult to fit in a pair of jeans.

Josh Hartnett

***


Isso é coisa que se odeie? ;-)


1.3.09

finalmente chegou ao fim...

*



tudo começou com um truque. um truque pra se enganar a própria falta de amor próprio. surgiu um conto... do conto surgiram comentários, trocas, entusiasmos tão alheios que até a intenção virou coisa inútil se comparada com o produto final. depois da poeira ter baixado e os nós enraizados, cansei. deixei o texto de lado, o sonho cabisbaixo, as palavras de ânimo pra trás até que, há um mês atrás alguém que eu conheço muito bem me lembrou do que eu havia prometido, da aspiração que era pra ser, não pra deixar de existir. eu ouvi. recolhi os pedaços, revivi as intenções, reintroduzi as mesmas sensações que vivi da primeira vez nas veias e deixei esses últimos dias sendo aquilo que deveriam ser: destinados a manter essa ilusão viva porque afinal, tentar não mata nem engorda. é isso. agora é ver no que dá e qualquer coisa que dê seja pra ser, o mundo sempre vai girar...



***

o que eu quis dizer foi que há alguns anos atrás escrevi um conto chamado "uma lembrança para Josh" e o publiquei aqui. a repercursão foi boa e amigos próximos que trabalham com a sétima arte (sim sim, é isso o que é!) me fizeram prometer que algum dia eu a transformaria em roteiro, e o fiz! acabei de fazer, depois de tanto tempo prometendo... o link para o conto está aqui, e seus capítulos estão lá organizados.

é isso...




fotografia: eu mesma.



17.2.09

what josh said in 2007 - no teen idol


"United States let Bin Laden skate because the war on terror needed a villain. The Bush administration is probably the most successful robber barons in the history of the world..."


***

e o holofote continua em sujeitinhos com o sobrenome Cruise ou Pitt no lugar de um sujeito desses, vai entender!


8.2.09

que conselho terrível...


***


"Be honest with yourself and lie to everyone else."




mas vindo dele, tudo bem.... :)


***



24.1.09

momentos inesquecíveis (alice sendo melancólica) parte 11


***





Donald: At my interview with IBM after I graduated college, they asked me what my plans were, and I said, "Probably go to McDonalds for a 12-piece McNugget and two cheeseburgers, and then do my laundry."
Wallace:
Did they laugh, at least?

Donald:
They smiled and said they'd call me. They didn't.

***

Donald, personagem interpretado por Josh Hartnett tem síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Nesse diálogo: ele e o personagem Wallace, interpretato por Gary Cole. O filme conta a história de amor entre Donald e Isabelle que também tem a síndrome. Uma história verdadeiramente de amor e só.

28.8.07

tá querendo acabar comigo?


it sucks, man!


estava eu sentadinha descansando do meu dia de trabalho, enquanto uma revista chamava a minha atenção na vitrine... era um dorso. um corpo, um desenho de um tronco e tinha algo por trás da capa principal, claro! só podia ser aquela resvista maledeta, a FLAUNT que tem um jeito cool de ser pra tudo... até demais por sinal! as melhores fotos estão sempre lá e eu queria ser a fotógrafa de todas! resolvi sair da cadeirinha e andar até a dita pra espiar e não é que dei de cara com o Josh Hartnett atrás da capa estranha/louca/linda do novo número da revista? deus! pra que isso, hein!?
me deu uma vontade de rever aquela minha "histórinha" com ele... ai ai ai...

perfeito!

agora só falta a corda pra amarrar no meu pescoço - pra eu deixar de ser besta!


8.5.07

Uma lembrança para Josh - parte final?

Olá minha gente, esse é o fim da minha pequena fábula. O "conto" se chama "Uma lembrança para Josh" e organizei os capítulos pra quem quiser ler tudo junto.

Primeira parte


Segunda parte


Terceira parte


Quarta parte


Essa aqui é a quinta e última parte. Não dá pra prolongar muito certas coisas...


Enjoy it!


***

Uma lembrança para Josh - Parte Final e curta

Você pode não se lembrar, mas eu sim. Era uma manhã que parecia uma manhã de dois dias antes, uma manhã com toque de veludo e cetim, uma manhã nossa. Enquanto tinha você nos meus braços não queria muita coisa, queria tempo, mas se me perdesse para pedir por tempo perderia você. O seu celular tocou e era um toque tão contido que não tive coragem de me mexer, era até bom de ouvir, bom de sentir que você não se importava e o deixaria brilhando e repetindo o mesmo som por um bom tempo até a hora que fosse. Você queria estar ali. Tinha que voltar pra casa e você tinha que voltar para a sua vida. Depois de algum tempo, quando o céu já estava azul, seus olhos se voltaram para os meus e eu tive medo deles, do que eles queriam me dizer, medo do que você queria de mim, medo do que eu queria de você. "Você tem que ir embora hoje? Tem alguém te esperando em casa?" Seu olhar era quente. Um olhar cinza, dois olhos meio longe e perto ao mesmo tempo.

"Tem alguém me esperando sim e eu nunca falo pra onde vou."

Uma vontade invadiu, era imensa e quase maior do que eu. Eu queria ter esquecido toda a história que existiu antes de você e fazer daquele dia uma nova vida para mim, mas nada do que poderia inventar pra minha consciência ficar tranqüila, nenhuma realidade que pudesse imaginar com você sendo ator principal poderia ser levada a sério. O tempo estava passando depressa e nós tínhamos que ir.

“Não sei o que querer de você...”
“Não queira nada, você não pode.”
“Mas e tudo o que aconteceu foi por nada?”
“Foi por lembrança, Josh...”
“Fala meu nome de novo...”
“Josh.”

Enquanto mantínhamos toda a distância necessária para não nos envolvermos, enquanto mantínhamos toda a proximidade necessária pra não nos perdemos no que nunca teríamos de novo, vi o que não era meu na sua voz e no seu nome. Na minha voz pronunciando seu nome. Você sabia da minha vida antes de me ver? Via todas as coisas que estavam escondidas no meu silêncio? Talvez, durante todo esse tempo que vivi e até hoje nunca encontrei alguém que pudesse dizer que tive isso, essa certeza de que sabia absolutamente tudo por causa da minha ânsia por calar. Se passaram dois dias, três no máximo foi o suficiente para saber disso, Josh. E naquele instante em que o ritmo do mundo nos acompanhou eu me joguei a seu favor do jeito que gosto de me jogar, inteira e mulher e te dei tudo o que poderia te dar, uma lembrança. Não era mais do que isso e nem menos do que o mundo. Era o melhor presente de todos, te dei a única pessoa que sei ser, te dei a única realidade que soube acreditar, o único sonho bom que virou algo mais do que letra no papel ou na tela, te dei as mãos e você tomou meu corpo e cuidou de mim enquanto eu chorava no único momento que me senti inteira. Com você.

***


Estávamos com os pés enterrados na neve. Um jovem porteiro do hotel em que passamos a noite abria passagem no gelo para nós. O táxi já estava esperando por nós na rua. Você segurava a minha mão e eu fiquei preocupada com as pessoas em volta, mas queria continuar com sua mão na minha. Nós entramos e você bateu a porta com força.

“Pra onde, Senhores?”
“Para o aeroporto.”

Eu não conseguia falar mais nada, você tinha que fazer pelo menos isso por mim. Quando chegamos lá meu impulso foi sair do carro e pedir pra você não me acompanhar...

“Despedidas são horríveis, não vamos nos despedir, ok?”
“Você vai dar uma de Ethan Hawke em Before Sunrise? Vai me dizer que casaria comigo essa noite?”
“Vou te dizer que a gente não encontra gente especial assim todo dia... é isso que vou fazer.”

Tinha que embarcar às oito da noite, você se sentou comigo no banco de espera da companhia aérea. Que triste foi aquilo, você se lembra? A gente não se falava muito, mas ria um do outro. Você esperou comigo e não quis largar a minha mão. Às oito horas pontualmente entrei naquele avião. Dez minutos antes você tinha me pedido pra ficar e chorou. Eu não derrubei nenhuma lágrima até ver seu rosto imóvel pela janela, enquanto o piloto dava a partida.


THIS IS THE END, BEAUTIFUL FRIEND, THE END.



***


TODOS OS DIREITOS RESERVADOS À ALICE SALLES



30.4.07

Agora é a minha lista!

todo mundo tá fazendo então vou fazer também! vou dividir com vocês minhas preferências...



number one eternally:

não. não é o Johnny Depp, aliás nem vou colocá-lo na lista porque ele é um artigo muito, muito, muito cobiçado e está bem servido com a linda Mer e com a Carol... o meu número, o meu par eterno, meu lindo e maravilhoso feio arrumado, meu escorpiãzinho em conserva com os dentes tortos mais charmosos que já vi é o Ethan Hawke. ele atua, ele dança, ele canta, ele escreve, ele dirige e ele me faz feliz.

number two eternally:

esse ninguém irá concordar! mr. John Anthony Mothafuckin' Frusciante é um ex "drug abuser", magricela, com todos os dentes postiços e com biquinho de brigitte bardot. enfim, ele é um ser! mas como diria Flea, ele é o cara mais humano desse planeta então eu o amo eternamente.
number three eternally:


Josh Hartnett me ensinou que homens choram sim! e ele chora pra valer, em todos os filmes! é magricela também mas agora que a idade está chegando deu pra malhar. é sensível, é bobão e tem um quê romântico e triste que só encontro nele. enfim, ele é o meu amor de verão. o meu canceriano favorito.

number four eternally:


não dá pra não por o cara na lista porque ele tá em todas as listas que eu poderia faze
r, top ten filósofos, top ten cantores, top ten rock 'n' rollers, top ten gostosões, top ten gente igual vinho etc... Eddie Vedder sempre fez crescer em mim vontades que estão fora de qualquer padrão de vontade de qualquer ser humano na terra e eu o amo demais!

number five eternally
:


Clive Owen tem a cara mais torta que eu já vi e mesmo assim é perfeito! tudo o que ele faz da gosto de assistir só porque é com ele, talvez por causa dessa energia que ele me passa de cara bem vivido... é isso, ele é um cara bem vivido... ah, e é de libra!

number six eternally:


Gerard Butler não estaria aqui há um mês atrás mas agora esse posto é todo dele. Eita escorpiãozinho mais delicioso! Tem a boca torta, é escocês e tem uns olhões que não cabem na cara! E as mãos dele são de me matar do coração... sem contar que ele é uma simpatia de moço! (não que eu tenha conhecido mas dá pra ver... ha!)


number seven eternally:


ele é demente, não é possível entender o que se passa na cabeça de uma pessoa que faz tantos papéis esquisitos, perturbados ou perturbadores da paz alheia! Christian Bale merece qualquer prêmio em qualquer top ten só por essa demência tão peculiar! ah... eu amo quando ele está mais "cheiinho"...
number eight eternally:

Heath Ledger é um tôtôso australiano com cara de cachorro perdido e péssimo gosto que eu amo! já ouve uma época que achava que ele era a minha alma gêmea... hahaha. infelizmente a michelle williams chegou mais rápido (sim, sim, a pentelha adolescente de dawson's creek!).

number nine eternally:

ladies and gentlemen, please welcome from the dead world, Mr. Jim Morrison! ele me inspirou sempre. ele foi minha razão de ser expulsa da igreja mormon no texas! ele me fez querer escrever pela primeira vez e foi o cara que me fez pirar em um disco inteiro também pela primeira vez. ele era tudo de bom...
number ten eternally:


ele nem é bonito mas eu amo caras meio toscos! tem o queixo terrivelmente enorme e parece que tá sempre mascando algo. tem um sotaque ridículo, o dente separado e é meio doido. ele é despirocado e sempre faz algo chocante. desde pedir emprego em troca de paz na rua até escalar a ponte pedindo pelo fim da guerra... ele é o Woody Harrelson.

21.4.07

"Uma lembrança para Josh" - mais partes, mais partes...

Você se lembra do caminho? Se lembra do taxi? Eu não conseguia parar nenhum então agarrou minha mão e se colocou na frente de um deles enquanto o vento frio e a noite começavam a me lembrar de quem eu era, de onde eu estava e porque estava ali, segurando a sua mão. Foram alguns minutos dentro do carro, olhando pela janela tentando me entender. Sempre tive aquela sensação de quando chegasse o momento eu saberia, mas eu não sabia de nada! Respirava aquele ar gelado e me doía o peito, olhava pra você e você não olhava pra mim, era uma aflição, um receio que cresceu, que me tomou, que me enjôou e eu cheguei mais perto da porta, pra longe de você que percebeu o que tinha acontecido. Não tentou me puxar pra perto e nem tentou falar comigo, durante aqueles longos e poucos minutos que pesaram em meus ombros. Ao chegar no hotel você pagou o motorista e me seguiu entrando pelo saguão, foi próximo de mim como uma sombra, um vulto sereno, todos olhavam para você e logo em seguida para mim, com aquele ar de incompreensão. Esse hotel era bem diferente do anterior. Era todo de vidro, panorâmico isso, panorâmico aquilo... tinha muitos andares e muitas pessoas passando, indo e vindo, subindo e descendo e eu não tinha paciência, não hoje, não depois daquela sensação ruim do carro. Ao chegar no meu andar você continuou me seguindo, na frente da porta do quarto eu coloquei a chave no seu lugar e parei, fechei os olhos e senti você atrás de mim, senti seu calor. Você puxou o meu cabelo passando os dedos no couro cabeludo me arrepiando completamente, você tem idéia do que aquilo fez comigo? Você pousou - digo pousou porque foi quase um toque, quase uma brisa passando por mim - os lábios na minha nuca e então a porta se abriu. E dentro daquele quarto ficamos até o dia seguinte.
.

***
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Era cedo e a janela do quarto era imensa, o vidro era espesso e você estava sentado nos pés da cama olhando o sol nascer e estava lindo do seu jeito, esperando eu acordar. Enquanto o sol nascia, enquanto o calor o acompanhava e seus olhos se irritavam com a luminosidade, enquanto eu observava seu tronco imóvel, sua respiração curta e seus lábios levemente entreabertos... enquanto tudo parecia um sonho eu senti que a miragem era nítida mas só óbvia para mim. Se existia qualquer coisa entre essas duas pessoas que não se conheciam essa coisa era um vazio inexplicável e uma vontade maior do que o vazio. Você continuou ali, imóvel.
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Eu me sentei enrolada no lençol e fiquei ali olhando o céu enquanto você olhava para mim. Continuamos ali um bom tempo até a primeira palavra que eu quase sussurrei, quase porque estava tão silencioso que qualquer ruido parecia um rufar de tambores.
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"Não parece o dia em que nos conhecemos..."
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Naquele momento sim, você se lembrou do dia que nos vimos pela primeira vez. Havia sido há alguns anos atrás, numa tarde ensolarada como todas as tardes do sul da Califórnia, onde todos so sonhos se realizam e se entrelaçam como um corredor de luz, um espetáculo de nuances de azul. Onde todos são blue. Eu estava há alguns metros do mar e não estava sozinha. Você caminhava com os pés na água sem ligar muito pra tudo em volta, seu pensamento estava longe e eu o reconheci mas não quis admitir a ninguém. Você estava tão quieto e triste que doeu em mim e o alcancei mais a frente depois de te ver caminhar por alguns minutos. Você sentiu alguém chegando e parou. Eu congelei com o acontecido e você se virou de frente para mim. Deu um sorriso lindo, meio sem graça com os olhos molhados e voltou pro seu caminho. Aquilo marcou minha memória e eu me mantive quieta pra não me perder em você. Para não querer gritar seu nome, que sabia, que havia decorado com prazer depois de te ver tantas outras vezes...

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Você havia aparecido e sumido, tudo num período de dez minutos que agora voltavam à sua memória. Você olhava para mim e não acreditava que havia me abandonado ali na praia sem nem saber quem eu era. Respirando fundo e ainda com o olhar fixo em mim ou em qualquer pessoa que eu havia me tornado para você, sua voz saiu com um peso de recomeço, com um ar de reticências...
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"Não parece... mas também não parece qualquer coisa que já vivi antes..."
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Foi quando tirei meus olhos da paisagem e os pousei sobre você. Puxei você pra perto de mim e você se deitou sobre meu corpo, se encaixou embaixo do lençol, entre minhas pernas com o rosto descansado sobre meu peito me abraçando forte como se nada mais importasse. E eu queria te dar naquele momento tudo o que eu tinha, toda a minha vida mas o sol estava tão forte, já não dava mais tempo.

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***
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TODOS OS DIREITOS RESERVADOS À ALICE SALLES
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18.4.07

a rose to Josh - the movie


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O Mr. Gravata fez um presente lindo para mim! E eu agradeço do fundo do coração (ai que brega)!

Só para alimentar mais essa minha doentia relação com o meu amigo íntimo Josh Hartnett! !

16.4.07

Sobre o "Uma lembrança para Josh"

A todos que estão acompanhando essa histórinha:
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Não sei o que será desses dois,
não sei nem se será qualquer coisa...
não sei se são dois ou se são um.
Enquanto não sei vou vivendo e eles me dizem...

"Uma lembrança para Josh" - mais uma parte...

O relógio no meu celular marcava seis e doze.
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No meio daquela multidão que ia e vinha, atravessando a avenida eu continuava prestando atenção na sua figura que permanecia imóvel do outro lado, apenas me observando sem nem mudar a expressão de desacreditado que tinha no rosto. Eu me movimentava pela calçada para não perder você de vista... era realmente um mundo de gente naquela tarde em NY.
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"Ele não se mexe..." eu pensava. Enquanto tentava decidir se atravessava a rua ou não você se virou e começou a andar rápido. Pronto, estava nítido quem tinha que correr atrás de quem agora, esse alguém era eu.
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Eu nem olhei muito para o semáforo mas sabia que podia passar, tinha muita gente passando também mas tudo que eu conseguia pensar era porque raios eu não tinha tomado banho antes! Corri para o outro lado da calçada mas você já estava dando a volta na esquina, continuei desesperada te procurando. Você entrou em uma casa escura, um bar que mais parecia um pub. No centro uma mesa de sinuca, um bar com caras mal encarados e muita, muita fumaça por todos os lados, a minha respiração estava tão difícil que eu acho que fiquei semi-inconsciente porque tudo que me faz lembrar desse lugar são imagens cortadas, pedaços de rolos de filme, pequenas fotografias que eu juntei pra escrever isso pra você. Me sentei no balcão para me acalmar e tentar trazer a respiração de volta e tudo foi ficando mais claro. Tinha visto você entrar mas não o via mais, nem na mesa de sinuca, nem pelas mesas onde se via gente jogando cartas e bebendo sem parar e nem no balcão do bar onde eu estava estacionada. Foi quando eu ouvi uma voz de trás do balcão, um senhor com um sotaque meio irlandês e com cheiro forte de tabaco que chegou bem perto de mim, colocando um copo a minha frente
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"Garota! Tome aqui, por conta do rapaz que te espera naquela sala..."
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Serviu um copo com McCallan apontando pro fundo do bar. Me levantei sem tocar na bebida e caminhei até uma sala que tinha como porta uma cortina velha e marron, que combinava bem com a falta de luz daquele ambiente tão agradável! Você estava ali, sentado na frente da janela, bebendo e fumando olhando pra mim. Eu não fiz nada e continue de frente pra você. O cheiro de mofo me enjoou profundamente. Não conseguia parar de imaginar aqueles fungos se alojando nos meus pulmões... preço certamente caro pra se pagar por uma aventura que tinha sido no mínimo inusitada. Mas eu estava ali e você tinha me trazido para esse momento e esse lugar sem nem pensar muito e continuava me observando, como um professor que espera o aluno dar a pergunta certa para o problema que ele acabou de resolver. "Por que isso agora? Por que com ele?"... Foi depois de um silêncio ensurdecedor e pesado que terminando de tragar o seu cigarro você se levantou, pisando leve quase sem encostar no chão e chegou bem perto de mim, soltou a fumaça pro lado, me olhou bem nos olhos e sorriu apoiando a sua mão esquerda atrás da minha cintura. Aquela voz rouca e grave sua estremeceu as paredes do meu tímpano e me tirou o chão
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"Eu odeio cidade grande, odeio essa loucura mas ela me trouxe uma coisa linda, uma lembrança linda... parece que do caos algo tinha que ser concreto... qual é o nome da beleza no caos? Qual é o nome da lembrança que alguém quis deixar pra mim?"
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Ali eu já não sabia mais o meu nome e pra você me entender tem que descobrir o que acontece com a cabeça de alguém que não entende de sonho se realizar.Você tem que saber de gente que sonha sem esperar e de gente que quer, sem saber porque quer e porque perdeu a chance antes de tentar. Você entende disso? Já sentiu isso antes? Aposto que sim mas nunca detrás dos meus olhos... então minha resposta foi simples, foi mais do que um nome, mais do que uma lista de explicações ou razões pra ter sumido, foi um choro desmedido, quase infantil e que fazia tempo que eu não deixava sair. Tentei segurar, olhei pra outro canto mas você me apertava, me apoiava, me prendia contra você sem pudor nenhum como se me conhecesse há muito tempo. Aquele socorro foi o alívio da minha alma e eu nunca imaginei que sentiria isso. Queria morrer ali mas você também não deixaria, saber quem eu era era mais importante do que meu vazio ser preenchido? Talvez... era provável que eu teria que me segurar e tentar falar qualquer coisa mas enquanto eu chorava você me abraçava mais forte e segurava meu rosto com a outra mão, a compreensiva tarefa de acolher foi sorteada por você quando me viu e eu te escolhi, sem querer você teve que estar ali, naquele instante pra cuidar de mim. Nós nos ajoelhamos enquanto eu limpava o rosto e me acalmava, o cheiro de mofo ficou ainda mais forte e sua compaixão era tanta que ficou emocionado comigo e quando eu vi seus olhinhos cheios d'água eu dei uma gargalhada terrível! Ainda bem que você riu junto e eu falei
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"Alice, meu nome é Alice."
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Você sorriu como se agradecesse e eu me levantei te deixando um pouco confuso saindo da sala! "Ah não... denovo não", você deve ter pensado e ficou ali parado olhando para a tal da porta feita de cortina sem entender nada! Sorriu de lado, se arrumou com as pernas cruzadas no chão e apoiou a cabeça sobre as mãos incrédulo comigo e com tudo aquilo. Alguns segundos depois dois pés caminhando na sua direção pararam e você ouviu minha voz
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"Você não vem?"
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E olhou pra mim com o rosto vermelho meio de felicidade e alívio se levantando. Te levei até o hotel que estava hospedada, não aguentava mais a sensação de falta de banho e de um lugar familiar, queria me ver livre do mofo e da fumaça que me sufocaram. Você não perguntou nada e eu não expliquei nada. Você me seguiu contente e eu tinha certeza que aquilo era tudo uma grande ilusão, uma grande viagem da nossa cabeça mas já não dava pra te ver e não te ter denovo, você era o meu problema e com esse problema encontraria uma saída.
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14.4.07

"Uma lembrança para Josh" - continuação...

Eu não deixei rastros, como você desejou. Um amor pra se lembrar, só isso. Um amor? Não chegou a tanto. Eu sabia quem você era, sabia que poderia te achar se realmente tentasse mas como você conseguiria me encontrar? Você não tinha nada, só um rosto. Um leve sotaque que o fizesse lembrar de algo... latino, talvez? Não... eu era tão cheia de sardas afinal! E mesmo se tivesse ouvido mais do que algumas palavras, não seria o suficiente pra saber. Aquela noite começava fria e o terror da noite é essa, entrar em suas entranhas sozinho, como se tivessem arrancado todo o ar a sua volta. O vazio é muito fundo e você não sabe onde se meteu e se meteu os pés pelas mãos.
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Você juntou suas coisas, se vestiu pensando que não seria assim tão difícil me encontrar - afinal estamos em NY, em um dia qualquer de dois mil e sete entre os oito milhões ou mais de moradores dessa enorme cidade - e desceu com aquela coceirinha de que "talvez ela tenha deixado algo pra mim na recepção". Mas era um engano doce seu, mesmo assim um engano. Colocando a sua toca preta e enfiando as mãos no bolso você saiu do hotel respirando aquele ar gelado, que cortava os pulmões mas que pelo menos era real. Pelo menos ele estava lá, o ar gelado, fazendo companhia a todos aqueles solitários a sua volta. Era tarde e o seu relógio estava atrasado. Ainda caminhando sem rumo entre as pessoas e a lembrança do que estava escrito naquela janela ainda estava viva, tinha virado fotografia em sua mente e nada apagava.
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"Não quero esquecer do rosto dela..."
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As pessoas, as luzes, a neve e o frio. Uma menina de uns catorze anos te pede um autógrafo e você sorri e assina um papelzinho que ela te entrega com uma caneta barata de alguma farmácia da região. Os pés continuam andando... As pessoas continuam passando...
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Eu fui pro hotel que estava hospedada aqueles dias. Seriam duas semanas por ali e depois iria de volta pra casa em Santa Monica. Ainda não tinha parado pra pensar em você pra não sentir que fiz a grande porcaria que fiz. O grande estrago estava lá, na minha cara porque um dia desses a gente iria se reencontrar, e como seria? Eu vivo nesse mundo que você também vive e em uma noite de pura picaretagem desse destino que se alimenta de nós, tudo ficaria claro para você e para mim, mas pensar nunca é um caminho fácil. Nem mesmo uma opção. Fiquei quieta lendo meus emails, olhando as minhas fotos e procurando fotos suas no google, a noite passou rápida e eu caí sobre a mesinha do lado do frigobar. Quando o sol nasceu eu lembrei que tinha sido tudo um sonho. Sim, era mais fácil achar que dormi ali, vendo foto sua e sonhei tudo mas logo me ligaram alguns minutos depois das dez da manhã, pra me lembrarem que não tinha feito nada do que deveria ter feito no dia anterior... que sacanagem! Nem quando a gente quer fingir a gente consegue...
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No mesmo dia alguém te encontrou saindo de um prédio qualquer em um bairro qualquer da cidade e acabou tirando algumas fotos que saíram nos tabloids comentando sua cara de "acabado". Você tinha reunião com muita gente aquela tarde para viver um pouco da parte do trabalho burocrático que odiava com todo seu ser, pilhas de contratos, cláusulas e muito falatório, regados a café, conversas paralelas e sonhos aparte... tudo para o brilho se manter vivo, para o sonho se transformar em algo real e para que ninguém perdesse o galã do projeto. Eu tinha que chegar ao meio dia no número mil duzentos e noventa da Avenida das Américas para mostrar alguns textos prontos para a correção do "detector de mentiras" da "editor/publisher" responsável pela minha loucura e pequena liberdade poética (ufa!). Havia parado de pensar em você por alguns instantes ao entrar no escritório mas, sentada esperando para ser atendida, o imaginei entrando pela porta. Talvez para discutir qualquer coisa a respeito de uma matéria sobre algum novo filme ou apenas para dizer que me seguiu esse tempo todo para nos encontrarmos para uma conversa final, um olá-como-vai-você?
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Mas você não entrou.
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Enquanto pegavam um café com leite no Starbucks todo mundo falava e falava e você só concordava. É tão delicado que não perguntava nem se não entendia o que estavam te dizendo, simplesmente aceitava. Estava muito bem acompanhado de algumas outras figuras tão batidas que perdia o tesão pela coisa, a cada segundo você olhava para a porta imensa de vidro e tentava encontrar em todos os rostos passando por ali algum que se parecesse com o meu. Alguém que o lembrasse de mim, "não posso esquecer o rosto dela", você pensava como se ouvisse um mantra se repetindo vertiginosamente apagando tudo que estava a sua volta.
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Mas eu não aparecia.
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O dia passou sem rastros de nada grandioso porque mesmo fechando o grande acordo que acabara de fechar, ainda me ruía a alma não ter falado com você antes de descer naquele elevador. Seu cheiro ainda estava em mim, nem tinha tomado banho! Se pudesse ficar assim mais algum tempo ficaria mas algum dia teria que te exorcizar de mim. Era fim da tarde e meu telefone tocou quando cheguei a rua, atendi e não era nada de importante. Continuei andando e parei pra esfregar meus olhos, infelizmente com isso borrei toda a maquiagem! Você estava do outro lado da rua, a neve tinha dado uma trégua e não podia ser miragem nem enganação da minha mente perturbada, você estava lá e eu não quis sair correndo. Fiquei imóvel e você também.

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11.4.07

"Uma lembrança para Josh" - o nome original era "Uma rosa pra Josh"!



Aconteceu quando tínhamos tempo.


Sua fama parecia pedir por isso, atitudes agressivas, cenas públicas de rebeldia, bebedeiras homéricas sem perder a pose, o tal do porte. Sua fama clamava por sua inocência, delicadeza do mundo, perdidamente apaixonado por viver sem ter um grande motivo. Eu sei, te entendo...
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Era logo cedo, por volta de sete da manhã. A neve que tinha derretido era fina e não chegava a cobrir as rodas dos carros estacionados aos montes nas ruelas em volta da grande avenida principal. Vi sua silhueta no café da esquina.
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Toca de lã, preta. Casacão Sherlock Holmes azul marinho, luvas pretas, calças jeans escuras, suas botas de exército, seu olhar apertado. Xícara de café quente na mão, levando algo de vivo aos seus lábios que murmuravam algo enquanto observava a tal da avenida. Você não me viu logo de cara.
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Atravessei passando na frente dos carros, causando alvoroço já que nem olhava para os lados. As buzinas, as pessoas me xingando e as freadas bruscas chamaram sua atenção. Você não podia acreditar! Sim, era eu. Entrei no café, pedi um latte doppio para viagem fingindo não o notar e saí. Senti sua sombra atrás de mim. Via seu vulto me seguindo pelas vitrines das lojas. Sentia seu perfume ainda mais próximo de mim... tanto tempo! Fazia tanto tempo que queria sentir esse cheiro e nunca o quis impregnado em mim com tanta vontade como naquele instante. Sua presença ficava mais e mais óbvia. Atravessava as ruas sem olhar e sabia que você estava amando isso, esse perigo todo sem motivo, essa vontade de pedir para eu parar mas porque? Você nem saberia o que dizer...
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Ao passar pelo segundo semáforo de pedestres fechado para mim você apressou seu passo, parou a minha frente, a um metro da calçada. Um motoqueiro quase nos derrubou e saiu xingando sua mãe e seu pai, indiscriminadamente e com razão...
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"Você vai para onde?"
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Seu corpo todo me paralisou, mas existia um hiato, um vazio que quase pesava, dez centímetros entre meu peito pulsando quente e o seu que mais parecia um torso de herói esculpido por Rodin me protegendo do mundo. Você viu que eu não tirei os olhos dos seus e suas mãos quase encostaram nas minhas. As buzinas eram constantes, as pessoas que passavam mal-humoradas nos recriminando... quando que eu ou você ligamos para algum indício de vícios de cultura medieval? Nunca! E não seria agora que isso aconteceria. Não respondi nada e simplesmente o contornei, dei a volta e continuei meu caminho. Meu café ainda quente em minha mão direita, minha bolsa presa firmemente contra o meu tronco pendurada em meu ombro esquerdo - a única coisa colorida em minha figura, por causa do casacão preto - e meu medo de você ter desistido de me seguir. Continuei em um passo ainda mais rápido, minhas bochechas já estavam vermelhas e quentes e meu cabelo completamente desgrenhado. Virei a direita em uma rua onde sabia que teria um hotel que foi montado em um prédio muito antigo. A arquitetura ainda lembrava os antigos casarões ingleses do século dezoito e o carpete macio, o cheiro de mogno e as pessoas me olhando estranho me faziam sentir em casa, mesmo com o coração a milhão cheguei até a recepção e pedi por um quarto...
.
"Seu nome, senhora?"
"Senhora!? Ai Deus! Meu nome? Camille. Com dois eles, ok?"
"Só Camille?"
"Camille... Hartnett. Dois tês no fim."
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Eu peguei a chave decidida mas não tive coragem de olhar se você estava perto. Enquanto entrava no elevador e assistia a porta se fechar vi você correndo em minha direção, tentando abrir a porta mas ela se fechou muito rápido e foi também muito rápida a minha reação. Apertei logo o botão para segurar as portas e abri-las novamente e você estava lá, de pé, aquele mesmo torso meio grego, meio tosco, meio do mundo mas longe de mim. Você entrou, eu soltei o botão e deixei a bolsa cair, você segurou o café frio e o colocou no chão. Trouxe seu rosto bem perto do meu, fechou os olhos e sentiu meu perfume, eu fiz o mesmo com você mas meus olhos estavam abertos, atentos a tudo que vinha de você. Seus lábios chegaram bem perto do meu pescoço, sem nunca encostar me forçando a virar de frente para a parede e continuou sentindo meu cheiro, o calor que vinha da minha pele enquanto eu fechava os olhos sentindo sua respiração na minha nuca...
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A porta do elevador se abriu.
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Você agarrou a minha bolsa, eu peguei sua mão para te mostrar o caminho. Já havia estado ali. Andamos até o quarto, número 1978, enquanto abria a porta você me prendeu contra ela, me trouxe de frente para você, me agarrando jogando todo o seu corpo contra o meu. Ainda me lembro bem do quanto eu não queria ter que ir pra lugar nenhum, só queria você. E era tão óbvio o quanto você também me queria e não importava por quanto tempo. O tempo parou porque também queria assistir esses dois se querendo, numa manhã fria, num dia qualquer...
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Com um certo trabalho consegui abrir a porta, bolsa pro chão aberta espalhando tudo aquilo que faz de mim mulher por todos os lados. Casacos também pelo chão traçando nosso caminho até a cama, mas não deu tempo. Estava tão quente ali que os vidros embaçaram. O que era ainda estranho quando não entendia o que estava acontecendo ficou ainda mais irreal mas dizem que a mágica tem hora certa pra acontecer e que se você pensar a respeito, ela se desvanece como cinzas sobre o mar, como miragem na estrada, como sonho... então resolvi deixar o tato exacerbado da minha pele engolir a sua, o suor seu manchar junto do meu o chão, as poltronas e a cama.
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Não sei mais o que aconteceu. Fatos são só fatos porque alguém sempre os conta, repetindo feitos, histórias por trás das histórias, egos inflados e desesperados em batalhas eternas pelo fato mais bem vivido, consumado e digerido... mas realmente não sei o que aconteceu. Talvez egos não estejam mais em questão no momento mas sei que aquele dia, quando acordei do seu lado precisava me afastar. Olhei em volta e pela janela ainda embaçada via um entardecer lindo, o céu sem nuvens e apenas o sol deixando rastros alaranjados por todo o quarto. Você estava dormindo mas não saberia dizer se dormia profundamente. Seu braço ainda estava sobre meu peito e olhando aquilo tudo me senti uma idiota. O tempo, afinal, fazia sentido e pesava. A história dessa vida ainda me rondava e te olhando tão sereno e tão próximo não resisti, chorei...
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Chorei quieta por algum tempo. Me ardia as faces porque tentava segurar aquele aguaceiro. Minha garganta secou, minha boca travou e eu queria te acordar e pedir pra você realmente saber quem eu era e pedir pra eu poder mergulhar em você e em tudo aquilo que seria muito bonito se fosse história de filme, mas não era. Tirei seu braço de cima de mim, peguei minhas roupas, me vesti de qualquer jeito tentando não olhar para trás. E o choro preso, os olhos embaçados, os passos em falso... antes de pegar meu casaco procurei nas coisas que tinham caído da bolsa papel e caneta, só achei caneta. Você se virou na cama, mas não acordou. Peguei meu lápis de olho e escrevi na janela do quarto que dava de frente para a cama uma mensagem para aquele que tinha sido eu durante uma manhã, um dia ou apenas algumas horas que fizeram me arrepender de ter sido eu ali e não algum alter-ego. Terminei e fui, antes de fechar a porta queria olhar para trás mas não consegui. Saindo do elevador coloquei meus óculos escuros, paguei a diária e pedi para o rapaz da recepção deixá-lo dormir. Enquanto caminhava para a porta giratória ele se dirigiu a mim e perguntou
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"Quer deixar algum recado para ele, Senhorita?"
"Diga que Camille não existe."
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Fui embora e nunca mais voltei para aquele lugar.
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Você afinal não estava dormindo aquele tempo todo. Estava sentado na cama desde o momento que eu entrei no elevador e ainda esperou que eu voltasse olhando para a janela e para a frase escrita nela com lápis preto.
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"O QUE SERIA DE NÓS
SE ISSO FOSSE REAL?
A.S."
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Enquanto procurava qualquer coisa minha pelo quarto que o fizesse descobrir simplesmente meu nome você se desesperou pois não encontrou nada meu e chorou olhando pela janela pensando no tempo que perdeu fingindo estar com sono quando deveria ter pedido para eu descobrir quem você realmente era.
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Josh Daniel Hartnett é ator e nasceu em 21 de julho de 1978 em St. Pauls, Minnesota. Tem os olhos levemente puxados mais lindos que já vi e os dentes separados mais charmosos da terra. Tem uma tatuagem nas costas, atrás do ombro esquerdo e viveu com sua namoradinha de colégio durante anos até que a fama os separou. Fez a porcaria do filme Halloween: H20 e a porcaria master plus do Pearl Harbor. É vegetariano (gracias dio!) sendo escolhido como o vegetariano mais sexy do mundo em 2003.
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E esse texto é realmente um caso de piração da senhorita Alice Salles.
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Obrigada Linda Mercedes Gameiro pela inspiração (por causa do seu tango para George)!
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9.4.07

ai se....

todos os criminosos tivessem o porte desse tal de josh...