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25.8.09

direto da história, um pouco da história de quem vive

Pois, ela e eu criamos mundos imaginários extraordinários - muito mais enraizados e eternamente cheios de sangue do que o mundo em que atualmente vivemos. Mundos onde personagens não só respiravam como nós mesmas mas aprendiam a arrancar da vida a pouca voz que ainda a restava. Ela e eu gostávamos do Jim Morrison e de Rimbaud. Beijávamos suas bocas num ar quase irrespirável. Aprendíamos a cantar as mesmas músicas apesar de tão diferentes em tudo, éramos duas a procura de algo. O que exatamente? Não sei - ainda. Não sei se ela também não sabe. Nós duas, ela e eu gostávamos de comer cinema como se devora sorvete num dia de verão tremendo enquanto o sol lá fora grita cômico - como se gostasse de derreter sonhos em molduras feitas para os mais diversos gostos, mas todas com a mesma finalidade. Ela e eu não éramos - e não somos - moldes nem criaturas. Criadores nem viúvas. Sei lá como caímos aqui. Filhas de uma teia de sonhos estranhos que não nos pertence. Ela lá, eu aqui. Nós duas buscávamos algo que ainda não conseguimos admitir em voz alta... o nome daquilo, o tão pavoroso nome daquilo que queremos.

E quando conseguirmos gritar aos quatro cantos aquilo, aí sim... o nome e a glória de sermos o que de fato fomos algum dia retornará como chuva que vem pra tapar a boca do sol.

“Eu te disse, nada mais do que um sonho ruim...”

Tudo isso enquanto Jim Morrison canta "this is the end, beautiful friend, the end. It hurts to set you free..."

***


*foto de não sei quem, Livia - minha amiga que viveu os piores anos da MINHA vida ao meu lado, grávida e atuando no filme "The Dress". Ela mora em San Francisco e é linda demais.


27.4.09

momentos inesquecíveis (alice sendo melancólica) parte 16





"I could object your technical approach"
"I could object your tie."

***


Em negrito, fala hilária do personagem Arthur Rimbaud intepretado por Leonardo DiCaprio no filme Total Eclipse. Simplesmente (mais uma vez) o filme que fez toda a diferença em ma vie.

11.1.09

sweet pumpkin

***



Acho que Clarice me mataria se me visse descabelar tão frequentemente. Sei que Rimbaud se enjoaria de mim. Os constantes pedidos de afeto o regulariam e me deixariam na mão, enquanto a estrada o chamasse eu faria pirraça tirando o pó do chapéu redondo dele que teria roubado em seu sono. De certo Hilst daria risada e fumaria mais um enquanto Baker tocaria quietinho no canto com medo da polícia. "Branco não tem que ter medo da polícia", "Mas amore, não estamos mais nos anos cinquenta e aqui não é ali"... Alguém me pergunta se eu gosto de Davis, eu respondo que não. Coltrane faz mais meu estilo mas não rasgaria a camisa por ninguém, nem mesmo por McRae, talvez por Billie -- mesmo sem engolir minha candura. Certamente Oscar se irritaria comigo e minha "simpatia" por todos aqueles que são injustamente chamados de underdogs, me daria algumas baforadas na cara e me deixaria a sós em algum canto escuro, enquanto Sylvia me daria a mão e me ensinaria a temer. Me mostraria o mundo com desdobras nas entrelinhas enquanto o sol se colocaria ao seu favor. Adoraria ver os cabelos ensolarados dela emoldurando tamanha escuridão. O incrível é que com razão Yates escreveria um livro sobre mim, contando meu fim nessa jornada vazia e sem esperança. "É necessário muita coragem para perceber a falta de esperança", eu diria que sim com a cabeça -- nada é tão certo quanto falta de esperança -- e voltaria a um banco em uma praça qualquer, tomando um ar.


Sei tão pouco de mim e ao mesmo tempo sei tanto do que se passa aqui...


***

15.11.08

Tertúlia Virtual - Meu Ídolo

aqui está minha participação nas tertúlias virtuais:

***

assim que soube do tema, entrei em pânico. pensei em não participar dessa vez. "ídolo? que ídolo? como eu sei dividir o que é ídolo do que é de barro e a quem posso contar a que conclusão devo chegar?", não sabia ao certo responder a essas perguntas embaralhadas em uma. mas voltei ao tempo, voltei ao meu tempo e à minha estadia nessa terra que ainda foi curta e encontrei uma pessoa que, apesar dos pesares foi o primeiro tijolo dessa minha construção de ilusões e asneiras que não explicam nada nem prestam para simplificar coisa alguma, são para me servir de desentendimento, uma tal regalia besta que eu aprendi a usar como minha única e verdadeira base de tudo, minha luxúria e meu vício. inventei um ídolo de um ídolo que, muito provavelmente nunca existiu como o conhecemos. ouvi falar sobre ele pela primeira vez em uma crítica do filme Total Eclipse, que por cima contava a história libertinosa que o meu ídolo em questão vivia. arthur rimbaud era então - para mim - o nome de um autor esquecido. pois bem, fui até o poço e busquei entre a água escura que beirava à podridão uma pérola única, que de pedra não tinha nada. era quase de luz, intocável, era ele. uma pessoa que por pouco não se materializava, mas novamente me alertava que nada sairia daquele poço que fosse palpável, tudo que rendesse, renderia por mim, através de mim, dentro e envolta de mim e assim aconteceu. ele me mostrou um mundo que desconhecia. letras e palavras que dançando se cruzariam em DNAs perfeitos, holofotes de luz que perderiam seus mestres e correriam soltas por ruas inexistentes. ele me mostrou uma saída para um mundo que não permite a entrada de qualquer um. ele me mostrou que eu era um qualquer um e que por terra se derramariam todas e quaisquer condições para a minha existência. a partir do momento que o conheci, me desconheci e ganhei um presente, o maior e o mais insignificante de todos.


***


senhoras e senhores eu vos apresento meu ídolo, meu primeiro e eterno amor, Rimbaud.



5.6.08

Agora é minha vez!



Which historical figure do you most identify with?

Ana Maria de Jesus Ribeiro or Anita Garibaldi.

Which living person do you most admire?

My man, Andrew Roberts.

What is your greatest fear?

Having loved ones dying before me and the depths of the ocean.

What is the trait you most deplore in yourself?

I can’t stop eating and I’m impatient.

What is the trait you most deplore in others?

Also impatience but I’d have to say I can’t stand SELF ENFORCED IGNORANCE, which means a whole world of things.

If you could change one thing about yourself, what would it be?

I… I don’t know. I’d be calmer.

What is your greatest extravagance?

I need my morning latte.

On what occasion do you lie?

When I'm feeling observed.

What do you consider the most overrated virtue?

Knowing what you want for the rest of your life.

What do you dislike most about your appearance?

I’m damn fat.

Which words or phrases do you most overuse?

Damn. Know. Yeah .I love you.

What or who is the greatest love of your life?

My husband, my friends, my dog.

What is your idea of earthly happiness?

Not having to look for it.

What is your favorite occupation?

Archeologist.

Which talent would you most like to have?

MONEY – Ha! I’m talented… I just don’t have money.

What is your current state of mind?

As always, restless.

If you could change one thing about your family, what would it be?

I’d change my presence in their lives.

What do you consider your greatest achievement?

My thinking, my sensitivity, my humanity.

If you were to die and come back as a person or thing, what do you think it would be?

I’d be definitely a Hollywood Star - whatever that means.

What is your most treasured possession?

A ten-dollar wedding ring.

What are your favorite names?

Adelia, Camille, Ana.

What do you regard as the lowest depth of misery?

Not ever knowing what it is to give yourself away.

Where would you like to live?

In the middle of the forest.

What is your most marked characteristic?

I’m pretty sexy.

What is the quality you most like in a man?

Wilderness.

What do you most value in your friends?

Honesty.

Who are your favorite writers?

Clarice Lispector, Arthur Rimbaud, Hilda Hilst, and a few more.

Who is your favorite hero of fiction?

Rogue from X-Men.

Who are your heroes in real life?

They all have died.

What is it that you most dislike?

How the world is being handled by idiots.

What is your greatest regret?

Not being involved in a revolution.

How would you like to die?

Fighting.

What is your motto?

Dreaming is FREE.




***

29.12.06

shoot the artist

"sem que ele (o artista) queira,
torna-se sua tarefa infantilizar a humanidade,
eis a sua glória e o seu limite."
friedrich nietzsche
.
.
.
mate o artista.*
na porta de sua casa a fachada que encobre a verdade de que ele não mora em lugar nenhum. é talvez um cachorro sem dono, ou melhor um dono sem perspectiva, uma tela sem tinta nenhuma, ou melhor, com todos os tons e todas as cores do mundo, sem objetivo comum.
na sua porta você encontra
palavras sem sentido se unindo contra a força do açoite do tempo. para ele (o artista) as palavras sempre vieram como se vem a vida, sem nenhum aviso prévio. quase como uma obrigação celestial, uma posessão teatral, uma veia saltando na testa.
ele ri do que não sabe suportar e chora quando ama.
mate o artista, ele quer acabar com o mundo
proteja sua casa
ele quer botar fogo nas ruas
apagar a sua alma com a sua borracha
o cantor olha com aquele ar de quem sabe algo que você nunca poderia saber. foi o cantor mesmo quem o ofendeu ao se ver no outro lá em cima naquele palco o que ele mesmo não entende e transmite sem dó o que antes era tão dolorido. ele não tem pena de si porque a clemência não é própria do artista, é clara e dura como a moral do jornalista que não polpa esforços pra ocultar o que não se vê.
shoot the artist.
he ain't no human.
he won't sell his soul for a dime
he won't mind
at all
if you shoot him in the head
he will cry before you grab that gun
he'll know before you know it, but please
shoot the man that stole this life out of me
and made me
this poor, louzy liar...
shoot him at once, let him die in my arms.





*piece of crazy writting dedicated to him, him, him and her.

11.11.06

meu erro.

não me arrependo do tempo perdido, do sonho.
da viola sem corda, dos dias molhados e bambos.
não me arrependo de quem fui.
quem fui foi manifesto, foi direção, quem sou.
não me arrependo das palavras, dos ventos para o norte,
do tempo quente que anseia por mim.
não me arrependo do que me aguarda.
não me arrependo dos dias mais decididos.
mas gosto mais dos dias duvidosos.
não me arrependo das vidas que vivi.
não me arrependo do que senti, da náusea, da cegueira (mesmo que temporária),
não me arrepndo da minha ilusão.
a ilusão é boa e é ruim. não me arrependo de ser ruim, porque nunca fui.
não me arrependo de chorar na rua, no carro
de chorar no ombro, no telefone, em frente ao computador
sobre um teclado, tomando sorvete, debruçada sobre o livro do rimbaud...
simplesmente não me arrependo de chorar, todos os dias.
não me engano fácil e não me arrependo de não ter me enganado...
não me arrependo das caras amarradas, dos gritos estridentes
do beijo que foi e do que não foi,
do queijo que roubei e da saia bonita que eu rasguei.
(não me arrependo de enfiar o dedo na tua cara)
de pedir pelo que é real e do coração.
não me arrependo de pedir tudo o que vem do coração só pra mim.
.
não me arrependo de nada.
.
esse é meu erro.

24.11.05

para saber que o que eu tenho que fazer é simples...
















de Rimbaud à Janis Joplin,
de Oscar Wilde ao Jim Morrison,
de Anaïs Nin à Angelina Jolie,
de Jack Kerouac ao Bob Dylan,
de John Fante a Eddie Vedder,
de William Burroughs aos Beatles,
de Fitzgerald ao Anthony Kiedis,
de Johnny Depp à Clarah Averbuck,
dos Ramones ao Kings of Leon,
dos Mutantes ao Rappa,
da Elis à Maria, de Jimi Hendrix ao Ernesto,
da Drew à Courtney...











e a todos aqueles que sabem que "the young, they can lose hope cause they can't see beyond, today..." ou a todos que sabem que isso não é verdade.










vamos exaltar os heróis de carne, osso, coração, sangue, saliva, suor e vontade porque não há muito mais o que querer dessa evolução
humana...
*ainda não consegui colocar todas as fotos aqui. mas elas já vem...

14.11.05

Tudo igual. Tudo diferente.

Sincronicidade. Cumplicidade. Intensidade.

"Everything has changed, absolutely nothing`s changed”
Eddie Vedder



Sabe viver nessa linha? Nessa corda bamba? Pois é, estou aprendendo. Estou aqui sentadinha, com o meu café... ele olha pra mim, eu olho pra ele.
O Eddie Vedder está sentado perto da porta, olhando pra rua, com seus bigblueeyes.... Nada passa por ele. O olhar está longe junto com sua
música. Acho que ele entende mais da vida do que eu posso imaginar.
Arthur Rimbaud está no balcão, bebendo suas fadas e pensando
em exaltar, em beber e brindar ao sol e a lua... Acho que ele sabe mais sobre a vida do que eu posso imaginar.
O Bob Dylan está lá fora. Sentado com seu violão, cantando baixinho... Ele olha pra mim e sorri. Aquela cara irônica de “baby, it’s life a-changing” e eu concedo meu sorriso largo pra ele... Ele sabe mais da vida do que eu posso imaginar...
E eu não sei nada. Again...

15.10.05

um milhão de gentes aqui....

um milhão de vidas e uma história. a caravana passa e a vida continua. queria ser chico buarque e olhar pela minha janela pra contar a vida de quem passa por ela. queria ser bukowski e maldito pra falar de imperfeição e ser real e bem-vindo. queria ser rimbaud e flertar com a vida, com o bem e com o mal. queria ser naiana e só saber amar. queria ser clarah e me livrar de conceitos. queria ser adélia e cuidar dos meus filhos. queria ser ofélia e me esconder atrás da minha loucura. queria ser valentina, valente e dona plena do meu nariz. queria ser a lua, e poder ser aceita por todas as pessoas com minhas fases e máscaras, com minhas próprias verdades. queria ser ned kelly e quebrar a cara de quem merece (mas com uma armadura mais feminina que a dele...). queria ser eu de verdade e ser todas as eus que existem dentro de mim, mas ainda não sei como. ai ai ai. acho que estou cansada.
boa noite.