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11.1.09

sweet pumpkin

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Acho que Clarice me mataria se me visse descabelar tão frequentemente. Sei que Rimbaud se enjoaria de mim. Os constantes pedidos de afeto o regulariam e me deixariam na mão, enquanto a estrada o chamasse eu faria pirraça tirando o pó do chapéu redondo dele que teria roubado em seu sono. De certo Hilst daria risada e fumaria mais um enquanto Baker tocaria quietinho no canto com medo da polícia. "Branco não tem que ter medo da polícia", "Mas amore, não estamos mais nos anos cinquenta e aqui não é ali"... Alguém me pergunta se eu gosto de Davis, eu respondo que não. Coltrane faz mais meu estilo mas não rasgaria a camisa por ninguém, nem mesmo por McRae, talvez por Billie -- mesmo sem engolir minha candura. Certamente Oscar se irritaria comigo e minha "simpatia" por todos aqueles que são injustamente chamados de underdogs, me daria algumas baforadas na cara e me deixaria a sós em algum canto escuro, enquanto Sylvia me daria a mão e me ensinaria a temer. Me mostraria o mundo com desdobras nas entrelinhas enquanto o sol se colocaria ao seu favor. Adoraria ver os cabelos ensolarados dela emoldurando tamanha escuridão. O incrível é que com razão Yates escreveria um livro sobre mim, contando meu fim nessa jornada vazia e sem esperança. "É necessário muita coragem para perceber a falta de esperança", eu diria que sim com a cabeça -- nada é tão certo quanto falta de esperança -- e voltaria a um banco em uma praça qualquer, tomando um ar.


Sei tão pouco de mim e ao mesmo tempo sei tanto do que se passa aqui...


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13.11.08


pois se engana quem acha que quem é triste não vive - é que aos olhos de quem é feliz tudo que não é do colorido é ruim - tanto quanto aquele que esta sempre arrancando alegria de tudo. ser triste é de um dom impecável, quase paciente demais. o ser triste se percebeu no mundo como o ser que precisa de tempo e de humildade que é de um extremo tão medonho, que muitas vezes é mais que o todo, é o maior e melhor e o mais importante de todos, sem ninguém saber, por detrás das cortinas. se engana quem pensa que sim, ser triste é o fim de qualquer que seja um futuro, mas e se eu disser que o futuro cabe numa linha melódica que pode variar entre notas profundas, quase silenciosas e aquelas que enraivecem o maior dos perspicazes mortais? me faço por entender? e se faço aceite que viver com uma lágrima no canto do olho é de quem deve viver, mais e com maior pena por uma humanidade que insana busca pela nota perfeita. isso não existe, só se é perfeito quando se é torto, errado, sanhoso... só se é de fato quando se abdica de ser.



*foto: chet baker, on the blue side


5.7.08

my funny valentine... stay.


uma das cançoes de amor mais fortes que eu já ouvi, e também uma das mais simples e obviamente mais reformuladas e regravadas do mundo - na minha humilde porém insistente opinião- é my funny valentine. me parece ser a canção que mais prova o amor, da maneira mais escancarada possível, com as palavras mais simples que alguém poderia usar...


my funny valentine escrita por richard rodgers e lorenz hart (foto acima) em 1937 aparecendo em 1300 albuns, gravada por mais de 600 artistas diferentes.

My funny Valentine
Sweet comic Valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable
Unphotographable
Yet you're my favourite work of art

Is your figure less than Greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?

But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little Valentine stay
Each day is Valentine's day

Is your figure less than Greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?

But don't you change one hair for me
Not if you care for me
Stay little Valentine stay
Each day is Valentine's day




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