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4.1.09


ah... se eu tivesse a vontade e o sangue para tal, eu falaria dos meus dias, das palavras regurgitadas em silêncio, do sol sem feitios, da boca no ouvido... se eu tivesse a paciência de um mestre do tempo, o espírito livre de um pássaro qualquer, o talento pro intrépido ou talvez a voz de um veludo bem específico, tentaria relembrar... se, pudesse ser somente por um minuto mais do que sou, não seria, passaria a vez. é o cansaço... toma conta de qualquer coisa que ainda resta de mim.

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15.9.08

voce quer?

eu repito para mim mesma como se fosse a única chance que tenho de aprender de uma vez por todas qualquer coisa que não aprendi ainda: é preciso deixar estar. e eu não digo isso com orgulho, é com dor que repito e que temo por mim mesma e pela minha sanidade, é preciso deixar estar e largar certas coisas a qualquer outra pessoa que não eu, porque? não tenho regras para poder discernir entre o que é culpa minha e o que não é, portanto baseio minha culpa no grau de importância que dou as coisas, as maiores depravacoes humanas, as que escalaram a um grau de desumanidade exacerbada me tem como culpada também, as menos importantes deixo aos ombros mais frágeis, aos que não suportam o peso qualquer que ele tenha, ate porque certas culpas pesam toneladas e outras tem o peso do mundo, seja ele qual for. penso que se aprendesse a contar rápido como aqueles matemáticos malucos teria ainda mais culpa em mim, por onde ando conto, conto qual é o valor dos números estampados naquela casa todos somados, conto quantas pessoas se sentavam no banco daquela praça, conto quantos corvos brigavam por aquele pedaço de pão. isso me da um ar um pouco autista, gosto muito porque tira a culpa de mim por alguns segundos, entrego-a para alguém que a queira, você a quer? deixo estar. mas esqueci porque comecei esse texto... acho que foi porque queria deixar alguém partir, alguém que me causa culpa, uma culpa que me enche porque diz que eu devo algo a essa pessoa quando ela que me deve demais - eu sempre sei da verdade, acho que é porque eu conto tudo - mas não aprende, e não me agradece, muito menos age como uma pessoa agradecida então queria deixa-la partir (a pessoa, não é necessariamente ela nem ele, pode ser ate um meio termo!) mas algo me prende, o que é? culpa? pode ser. enfim, é preciso aprender a deixar estar assim como nos não precisamos regar a árvore quando esta mais velha, ela se vira de algum jeito, mesmo as que são tenebrosas e assustadoras se viram - melhor do que as outras, tenho que dizer.

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28.2.08

Clarice & Alice


Hoje, peguei em um livro que mudou minha vida e que simplesmente fez com que tudo o que eu esperava do mundo virar tudo o que eu espero de mim. A primeira vez que li Aprendendo a Viver da Clarice Lispector foi quando o peguei emprestado de uma grande e linda amiga minha, Don'Ana que de tão especial me arranca suspiros sempre que penso nela...

Tenho mania de rabiscar em livros que leio, mas nesse não podia porque era dela. Hoje, rabisquei um monte. Escrevi nos cantos, coloquei observações e estrelinhas nos textos que mexiam mais comigo. Sublinhei o que falava à minha alma e imprimi na primeira página que esse era um presente de minha mãe linda, recebido no dia 27 de fevereiro de 2008.


Porque esse livro é tão especial?
Porque eram textos soltos, que Clarice Lispector escreveu quando não tinha que escrever, quando tudo que falava fluia e ela mesma já afirmou em entrevistas que era assim que ela obtinha os melhores textos, quando não precisava escrever.

Não sou muito fã de longos romances e novelas, mas sou fã de tudo que é livre, dos pequenos contos e liberdades que ela admitia como parte dela mesma e é nisso que me espelho. Encontrei no que ela sentia coisas que sinto também e nesse sentir me perco no que me faz única e tão igual a todos...
Deixo aqui mais do que uma dica, um toque de irmã: Leia Aprendendo a Viver da Clarice Lispector e você nunca mais terá que pensar duas vezes pra coisa nenhuma.



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