10.11.08

manufatura

Estou fazendo parte do blog MANUFATURA, um local onde você encontra: A cada dia da semana um poema, um mini-conto, uma expressão para exercitar a nossa alma.


Estou participando pois fui convidada pelo amigo-blogger Victor Barone e a cada dia 9 do mês postarei algo la! Hurrah!

9.11.08

Motivos para se deixar ser - Parte II

Afiado ele respondeu a altura. Tinha pressa. E quando a chuva não da trégua? A quem eu devo correr? E era a chuva quem respondia com mais urgência sem meias palavras. Ele era urgente e gostava de quem o era junto dele. Enquanto esperava pregava a fina pele que recobria a fronte na camada grossa, quase a prova de balas do vidro de uma janela que por pouco era completamente ignorada até então. Ele observava as lágrimas na janela escorrendo, como um bom cliché. Ele era um cliché que respirava e que pedia por mais do que jamais teve: ela. Um cliché quase que sem lugar na historia, um cliché mal empenhado. O sono, ele esperava, viria mais cedo ou mais tarde mesmo que se precisasse tirar um dia para se jogar na inércia de um repouso profundo, mas viria. Ele aguardava e em silencio se perguntava se deveria se manter assim por mais tempo.

***

A manha chegou. Os pés ainda calcados sobre a mesa de centro, a TV ligada sem qualquer som, pessoas alegres e saltitantes na tela. Os olhos dele pregados ao teto como se houvesse alguma solução naquele fundo branco inteiro, uma tela pronta para ser preenchida, e ele a preenchia com imagens de qualquer coisa que poderia estar a viver agora, mas se estivesse não seria tão bom, e mesmo se o fosse não seria tão atraente...

Ele aceitava. Compreendia com um conhecimento fora de série, era um modo de se olhar a si próprio que calado caia por terra desarmando o seu próprio ser, ele se desarmava por se entender e pedia quieto por dois trechos de insanidade só para se perder no que queria ter. Queria ser livre do seu discernimento. Queria ser. E ao sorrir percebendo o quanto se expunha a si mesmo fechou os olhos, sereno.

Dormia em paz pela primeira vez em dias...



...CONTINUA...

My own private Beatles III


I'm not sure if there's a point to this story, but I'm going to tell it again. So many other people try to tell the tale, not one of them knows the end... It was a junk-house in South Carolina, held a boy the age of ten along with his older brother Billy and a mother and her boyfriend who was a triple loser with some blue tattoos that were given to him when he was young, and a drunk temper that was easy to lose and thank god he didn't own a gun! Well, Billy woke up in the back of his truck, took a minute to open his eyes... he took a peep into the back of the house and found himself a big surprise. He didn't see his brother but there was his mother with her red-headed head in her hands. While the boyfriend had his gloves wrapped around an old priest trying to choke the man...

Ah Ah Ahhh...


Billy looked up from the window to the truck threw up, and had to struggle to stand. He saw that red-necked bastard with a hammer turn the priest into a shell of a man. The priest was putting up the fight of his life, but he was old and he was bound to lose... the boyfriend hit as hard as he could and knocked the priest right down to his shoes... Well, now Billy knew but never actually met the preacher lying there in the room. He heard himself say, "That must be my daddy" then he knew what he was gonna do, Billy got up enough courage, took it up and grabbed the first blunt thing he could find. It was a cold, glass bottle of milk that got delivered every morning at nine...

Ah Ah Ahhh...


Billy broke in and saw the blood on the floor, and he turned around and put the lock on the door. He looked dead into the boyfriend's eye, his mother was a ghost, too upset to cry, then he took a step toward the man on the ground, from his mouth trickled out a little audible sound. He heard the boyfriend shout, "Get out!" And Billy said, "Not till I know what this is all about", "Well, this preacher here was attacking your mama", but Billy knew just who was starting the drama. So Billy took dead aim at his face and smashed the bottle on the man who left his dad in disgrace, and the white milk dripped down with the blood, and the boyfriend fell down dead for good Right next to the preacher who was gasping for air, and Billy shouted, "Daddy, why'd you have to come back here?" His mama reached behind the sugar and honey, and pulled out an envelope filled with money, "Your daddy gave us this," she collapsed in tears, "He's been paying all the bills for years"! "Mama, let's put this body underneath the trees and put Daddy in the truck and head to Tennessee", just then, his little brother came in holding the milk man's hat and a bottle of gin singing,

La la la la, la la la la, yeah
La la la la, la la la la, yeah
La la la la, la la la la, yeah
La la la, la la la... La la la la, la la la la, yeah
La la la la, la la la la, yeah
La la la la, la la la la, yeah
La la la, la la la...
La la la la, la la la la, yeah
La la la la, la la la la, yeah
La la la la, la la la la, yeah
La la la la, la la la la, yeah

Well now you heard another side to the story but you wanna know how it ends? If you must know the truth about the tale, go and ask the milkman.

8.11.08

pra constar que...


you think not telling is the same as not lying, don't you?
then I guess not feeling is the same as not crying to you...


***

7.11.08

Motivos pra se deixar ser - Parte I

Ele tinha queimado os dedos no bule. Pela janela as crianças eram observadas de longe, por um pai um pouco ausente mas muito cheio de amor, as vozes e gargalhadas que preenchiam a casa eram de se guardar. O tempo virou. No telefone, sua mulher respondia seca e que aguardaria la fora, ele pediu que entrasse, mas a resistência era maior, algo havia morrido sem volta e ele ainda tentava compreender. Duas chamadas. Duas chamadas não atendidas. Ele logo tentaria novamente. Era um dia como qualquer outro e sem a menor sombra de duvida ele havia feito algo de errado. As crianças voltavam para dentro da casa e o jantar estava pronto.

Quase que sem querer ele parecia preocupado. Pedia ajuda, qualquer ajuda que qualquer um conseguisse dar. Os pratos e talheres se esbarravam, ele olhava inquieto, respondia com carinho mas o olhar estava distante.

Enquanto os talheres não parassem de causar alarde, ele não se acostumaria com a sensação de se esperar. Não tinha o privilegio da paciência. O peito reclamava.

Das duas uma, ou ele deveria aprender a ceder ao tempo dela, ou ela iria causar o seu fim, o fim de um começo que estava ainda por vir. Ele não queria perder o sangue frio.

Sua mulher chegou rápido, fora menos tempo do que ele esperava esperar e o sol se punha como um quadro que seria feliz se não fosse doloroso. Ele realmente precisava que ela entendesse... Mas ela não alcançava a sua falta de lógica. O tempo passava.

***

Era quatro da manha. Quatro da manha, ele pensou afiado. O telefone vibra, uma mensagem enviada às pressas. Ele lê calado e preso, preso num tom quase sem tréguas. Era ela, e quase conseguia ouvir sua voz através do aparelho. Eu não durmo bem e sei que você da mesma forma pena para tal... Em dias de guerra, durma com os olhos abertos - ela dizia.

Em dias de guerra, ele repetia.

Sua calma se esgotava com um trovão la fora. A chuva começava a importunar...




...CONTINUA...

5.11.08

you're given a flower, but I guess there's just no way of pleasing you...


Bom, vamos lá.

Era tarde e algumas pessoas já se perguntavam porque o mapa estava tingido de vermelho com tanta intensidade. "São os estados republicanos, não adianta". Alabama, West Virginia, Tennesee, Texas... Um daqueles lugares que você ainda pode ser morto se estiver passeando por ai de noite e se a cor da sua pele for negra... Sim. É o que você ouviu. Lentamente os lugares de onde as melhores pessoas do mundo vieram (porque realmente conheço algumas das melhores pessoas que já conheci que vieram desses lugares) como Michigan, New Jersey, Maine, New York, Illinois, Vermont, Wisconsin e Massachussets foram ficando azuiszinhos... "Era de se esperar, são sempre estados democratas". As pessoas que entravam pela porta da casa, eufóricas, tinham sorrisos de vitória presos entre os dentes, mas o olhar era aquele que sabota a própria esperança, um olhar de incerteza que diante de um fracasso que talvez não estivesse tão longe assim, poderia significar o fim de muitos sonhos. Afinal, não foi só o sonho do garoto Barack quando conquistou a cabeça dura da Michelle que se concretizou ontem à noite, foi um sonho coletivo, um pedido de muitos a qualquer santo, deus ou fé que pudesse servir de muleta num momento como aqueles. Foi uma alucinação coletiva sim, que fez com que uma pessoa que ouviu de todos os lados que era impossível, viver agora - ou melhor, depois do dia 20 de janeiro - uma vida que não é um privilégio por excelência, é uma vida de entrega e de sacrifícios. Devo confessar que quando percebi que o que realmente o elegeu foi o colégio eleitoral, me deu uma certa dor no peito. O que isso quer dizer? E porque afinal mais uma vez o povo, que é aquele que deveria ser o que pede por mudança, não conseguiu um número arrasador de votos pelo novo presidente.... foi o colégio eleitoral que eu tanto xinguei durante todo o processo de eleição. Foi esse sistema medieval que eu tanto odeio que colocou o homem que eu preferia ter no poder. Isso me de uma certa sensação de total perda de esperança, enquanto todos explodiam com cores mais fortes que as próprias cores de suas bandeiras. Partidos agora eram inúteis, estados também, mas o que eles todos que estavam naquela sala deixaram de perceber foi uma coisa bem simples e algo que o mundo já percebeu antes de qualquer americano: o que o Obama ter sido eleito significa vai alem de patriotismo, é o sentido de anti-nacionalidades e fronteiras, contra qualquer determinação de terra e cultura. Obama significa um mundo "unificado", petrificado em um único objetivo: ser. Obama significa UM que antes eram muitos e muitos contra muitos. Eu queria poder dizer a todos ali, que aquele homem cheio de garra, de uma beleza quase filosófica significava o fim da América, mas a América gritava tão alto que ninguém mais tinha voz, nem mesmo ele... mais uma vez, novamente, again brothers...

Eu amo o Barack Hussein Obama, sempre falei isso aqui, mas tenho medo de ninguém ter ouvido o que ele disse ao afirmar Yes We Can, há um ano or so atrás. Tenho medo de ninguém mais querer ouvir e continuarem a seguir suas vidas, da maneira mais anti-humana que existe, achando novamente que a "América" é a resposta para todas as dúvidas e todos os problemas existentes...

Bom, respira fundo Alice, você é uma pessimista incorrigível.


***

3.11.08

"Presentim no fino da bossa"

Olha só o que o Monsieur Paulo Barbosa fez:


E ele disse que foi pra mim... ah! Então todos pensando positivo porque se o Obama não ganha eu não sei o que acontece com o mundo! Serio mesmo!

E Paulo, ta demais...


***

leia tudo.


que mundo é esse em que a gente vive que, uma voz não é o suficiente para se pedir por paz? leia o que eu acabei de perguntar, leia em voz alta, de frente para o espelho. se pergunte "que mundo é esse que a gente vive que, uma voz não é suficiente para se pedir por paz?", não, pare tudo. pergunte algo diferente, ainda em voz alta: que mundo é esse que vivemos onde pedir por paz NÃO adianta? alguém pode ler isso aqui e achar pura ingenuidade, inocência, candura ou ate de uma ausência de qualquer experiência de vida passada de minha parte. pare tudo. eu pensei que ser gente era ser... humano, pronto a ouvir o outro e, utilizando todas as ferramentas que foram entregues a nos ao sermos concebidos, poderíamos enfim racionalizar, compreender, discutir e chegarmos a conclusões sensatas. não. mentiram para mim. mentiram sem do, nem piedade, nem esperança. mentiram. falharam, esses tais seres, ao imaginarem que mentindo criariam melhores cidadãos, criariam pessoas mais... sensatas, vejam vocês! e por isso agora você me lê e pensa "que criatura ingenua!", que criatura que eu fui tornar a ser. eu ainda não entendo, não se passa pela minha cabeça, minha pouca - ou muita - compreensão não codifica o não quando um único alguém pede por paz, qualquer paz que seja. chega! um tiro, uma bomba, um tapa na cara não é concebível, não é cobiçado, não esta pronto para se tornar algo aceito por quem deliberadamente entrega esse discurso a você, leitor, como quem entrega pão a um desconhecido faminto. eu sou a faminta. aquela criatura cheia de porquês mas que estaria infinitamente feliz com um sim! apenas um! será isso possível? alguém estar feliz com um sim? um por favor, você esta certa, sim, venha cá... vamos resolver tudo. lave as calcadas com o sangue que for, pavimente o solo com a dor que for, cubra as feridas com as gazes necessárias, temos todas as que precisamos logo aqui, no bolso, respire fundo, diga sim. olhe novamente naquele mesmo espelho e diga sim. mas cuide-se pois a experiência pela qual você ira passar ao dizer um simples sim será imensamente libertaria, como se regassem flores nos seus jardins, e sem nenhuma razão aparente as flores postas começassem a criar asas, não há razão! ela não existe! os céus felizmente e finalmente estariam cheios desse colorido que você jamais viveu. aprenda... aprenda a não deixar a inocência de uma simples pedinte -mesmo aquele que tem "tudo" - te tirar o tom, essa pedinte sou eu, aquela que não entende de nãos, que não entende de não se conceber um pedido tão... humano, a quem quer que seja.



"ele não parava de cantar, não parava de pedir e todos pediam com ele."



1.11.08

recadim

Tem post meu no blog da Uni-Yôga Unidade Brooklin! Siga o link.

***

slowly turning...

" Who's usin' who?
What should we do?
Well you can't be a pimp
And a prostitute too"
J. White, Icky Thump


Se ligado fosse, pesado seria. Ele olha de canto do outro lado do bar. "Ei, meu querido, mande um drink pra garota tristinha ali do outro canto", o olhar de dentro não falava atento ao olhar que de fora parecia cheio de vento. O tempo, meu caro, só o tempo. A bebida veio em alguns minutos e retornada dentro de segundos. "Ela disse que não bebe senhor, e não agradeceu", enquanto meu olhar continuava distante, o seu continuou firme. Preso no que? Não sei bem ao certo... a qualquer coisa bamba, e de galho em galho ele nunca chegou em outro lugar qualquer que fosse terra, ficou no mesmo enquanto eu pescava quieta pensamentos agudos, que chegavam a driblar a inocência que eu tanto pedia pra voltar...

No dia que ela retornou à casa eu perdi o fôlego e fui a assassina da minha própria força... a vontade foi mais surda do que a intenção. Ah, não...


***