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8.6.10

sonhos enlaçados às tuas veias



- Eu tenho medo de te querer mais, de te querer mais do que jamais poderia resistir. Medo de que o ar frio e fresco tome tudo ao meu redor, de repente. Um medo que leva o despreparo às alturas e a certeza de que tudo o que é importante na vida de fato não pode ser ensinado, um momento qualquer e tudo para de rodar, o mundo para de girar, todos param de querer para que eu te presencie diante de uma imensa ausência de se ter o que falar. Eu te quero. Talvez não te queira depois de amanhã, nem antes de hoje, mas o importante é que sua presença seja referida à mulher que hoje sou, sua. Nada mais importa se o importante não é o que vai durar ou não, a dúvida e a lógica nunca encontraram conforto no desejo e o desejo, todos sabem, é a pólvora como também é a mão que prende a flecha ao cordão, pois então... Te quero. Não quero ouvir resposta e tenho medo agora do que não chegará a me arranhar depois, mas a vontade e a angústia são maiores do que o mundo e sinto que, de tão próximo o momento não vejo além do agora, o agora que te pertence e que jamais pertenceu a outro alguém.

Fiel a ti, meus sonhos enlaçados às tuas veias.

Nada além de sangue e lágrimas, além do agora que vai secar todas as dúvidas e remendar todas as divergências. -


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21.4.10

viver só depende de...


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hoje, me sinto tão repleta de mim, tão inteira, tão certa de que sou esse ser especial cheio de vida, paixão, dor e intensidade que devo sim ser um patrimônio da humanidade. sentir, saber, reviver essa certeza me faz completa. sim eu sei, a felicidade mora nos detalhes e os meus detalhes fazem de mim alguém muito maior do que eu. além de mim. estou feliz com as coisas que redescubro, com tudo aquilo que reaprendo ao permitir. nada me assusta mais, essa parede de medo foi derrubada, um muro se transformou em migalhas, migalhas e pó que de repente não representam mais um obstáculo, muito menos um problema para mim que passo por eles com indiferença. esse monte de pó não é nada além de lembranças de um passado que precisei viver. o medo está distante de mim porque eu o conheço, já o apalpei, já presenciei seu pulsar dentro das minhas veias, já o contornei, dominei, conduzi. o passado é também parte de quem sou, o medo é parte de mim mas a diferença é que agora ele não é mais a força dominante, não. eu piso certo. eu aprendo e reaprendo que viver só depende de mim. viver só depende de mim.


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19.12.08

porque quando o ar frio soprava com todas as forças de um pulmão sem vida, o ar cortava a mim. cortava a quem caminhava pela mesma calçada, pela mesma rua, pelas mesmas esquinas escuras que passei. porque, sem férias, sem descanso, sem tempo nenhum para se parar e ver, eu via, sentia o cheiro e continuava, quieta, olhando por uma ponte qualquer um túmulo qualquer de gentes mil que sem perceber o eu ali quieto e insensível os jogando o abismo de volta, berravam e enlouqueciam a si mesmos, sem perspectiva nenhuma, sem voltar jamais para casa. porque, sem resposta eu ficava a espreita. qualquer coisa era mais do que nada e o nada era o único que confortava. porque naquelas ruas eu chorei, sonhei e nunca sorri. porque nas mesmas ruas eu me apressei, eu me entreguei, me joguei a qualquer um que vinha na direção contrária. porque, sem mais nem menos, eu me rendi e perdi o jogo, e nos últimos segundos do segundo tempo eu voltei a querer e o querer é o maior dos prazeres. porque, sem mais, sem menos, sem qualquer coisa que se perca eu ganhei de presente de uma cidade inteira o desprezo que me fez ser quem sou, e dessa cidade eu ganhei o amor que eu nunca perdi, ganhei os olhos que eu nunca mais vi, ganhei sonhos que nunca mais me abandonaram. porque dela eu ganhei vida, nela eu quase perdi vida e pra ela que eu canto, todas as manhãs do meu dia.

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29.10.08

coisas que nem se acredita


e o ar que enchia repousou torto sobre teus olhos, secos. era de se esperar. as cornetas que tocavam, tocavam sem parar e as silhuetas por um instantes eram somente isso, silhuetas vazias e escuras, sem vida. o brilho, ainda me lembro de você repetindo essas palavras, está nos olhos de quem vê. me incomodava, você vê? me recordava momentos de sincera angústia e revelações cínicas. silhuetas rondavam e eram de assustar corvos até, mas você continuava ali, olhos secos como seca era a sua lábia, lembra? eu me perdi. me perdi em ser quem decidi ser, era muito doloroso continuar imitando uma imagem que não era minha e quando o tempo fechou os sonhos acrescidos de temas viraram filme, daqueles sem fim, que a luz apaga e que te deixa sem fala e sem rumo, porque? porque você me deixou sem rumo? foi. e o meu rumo virou qualquer coisa que eu inventava pelo caminho, foi bom. ah e como é bom não se ter bolsos pra procurar qualquer coisa, o que se procura está logo ali, num canto da sala e no ano que vem a sala será outra. e a gente encontra outra coisa pra se apegar, outra vida curta pra se cultivar, outro olhar. talvez até uma batida diferente dentro da mesma música, isso sim, é arte.

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21.8.08

o meu lado boa moça*


Roubei isso aqui do meu amigo Paulo Barbosa que é um talento só e que tem um blog, tá aqui (clique no aqui)! Só pra mostrar que eu sou (mais ou menos) boazinha...




(clique pra ampliar)



*o título da postagem dele com essa imagem é "o meu lado bom moço"

24.4.08

sobre o fim

fim do mundo....?
não.
fim dos tempos...?
não.
fim das gentes...?
não.
.
é só bronca. e é pra valer.
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quantas vezes a gente tem que se lembrar que a vida, ou a natureza, ou deus, ou qualquer coisa que acreditamos não nos esperam levantar, elas querem reviravolta, grandes revoluções internas, permanente estado de atenção e de alerta, não de medo! saber respeitar leis impostas não por colegas humanos mas por um sistema muito mais organizado do que o nosso, é a única maneira de se poder ser. até quando vamos acreditar em enfadonhas verdades inventadas que nos levam a fins não criativos? o bom de se existir é de se reinventar a partir do que a compreensão nos permite... sim, criatividade é tão infinita quanto sua compreensão é.
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e não. não é o fim nem o começo, é um chacoalhão... literalmente.
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2.3.08

Bjork e seus sons do inferno... (os céus não aguentariam)

Ai, não me aguento.

Toda vez que ouço Bjork sinto o inferno chegando perto, respirando no meu pescoço. O inferno não, o diabo por ele mesmo me rondando. Me parece que a voz, o ritmo e qualquer outro som que parece não ter razão algum de existência na música, - ou não-música - me faz desacreditar e acreditar no mundo, de tal maneira que não me é compreensível. Deu pra entender? Ai, parece que chego num abismo e quando olho pra trás existe outro... Entendeu agora? Não? Está bem... É quase como a resposta e a pergunta, o imenso e o nada decorrente da ação que a essência toma quando não é. Ficou claro? Quer mais complicação? É a mais profunda des-sensação. Não sei bem se essa palavra significa algo, basta saber que significa algo pra mim. Enfim, toda vez que o som chega aos meus ouvidos ele chega primeiro na boca do estômago - se isso existe! Dá um soco mesmo, um chute, uma bomba atômica logo acima do umbigo e vai fundo, e todas as imagens que a música projeta me fazem des-sentir tudo que aprendi, desacreditar e amar ao mesmo tempo. Acho que nada mais é do que o que ela quer expressar, sem saber, deve ser a tal da mensagem que existe por trás do que cada pessoa que tem como função na terra a expressão pura e simples. Uma frase, um berro e um tum tum não significam nada ligeiramente parecido com o que eu recebo quando ouço Bjork e o pior é que de uma certa forma, não gosto! Juro que não gosto de me sentir assim, é quase um mal-estar do bem que me catapulta a algo maior, seja lá o que esse maior é. Maior e mais dolorido. Quem é ela? Não sei, quero acreditar que é algum tipo de anjo, santo protetor dos mal-entendidos, mãe de todas as cores, filha do sol e da lua e irmã gêmea de Zeus... Talvez apenas um alguém muito muito excêntrico.




Quer ouvir um pouco desse terror? Deixei fácil pra você...




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