muito se falou sobre o filme, mal. oquei galera, i see. muitos falam que o filme é realístico demais e que o Meirelles (que eu já cansei de elogiar aqui no blog depois do jardineiro fiel) teve um algum problema em transformar algo quase fabuloso em um épico do homem moderno. genteeeem! o livro é sobre tudo que é moderno! conflitos criados apartir de uma modernidade fora de órbita. ate porque, como o Fernando Meirelles disse no seu blog do filme, o autor, José Saramago, não da nenhuma solução aos problemas mostrados no livro, só os entrega como se lavasse as mãos após trazer a tona as dores do mundo para que os próprios causadores delas tivessem que aprender a se responsabilizar por seus filhos. eu creio no cinema. eu acredito na raiz da dor e ela, somente ela vale a pena ser rebuscada nele (cinema). seja qualquer o tema, o que faz do humano um humano é a capacidade de ir realmente até o cume da ilusão e da dor - que se entrelaçam em momentos e de maneiras diferentes, muito regularmente - e voltar com uma boa historia pra se contar - coisa que eu preciso aprender a fazer. o Fernando Meirelles que me perdoe, mas ele só fica mais interessante, mais ainda que a Julianne Moore que esta única no filme, alias ela é um orgulho para toda e cada mulher existente no mundo, precisamos ser mais como ela. outra, acho lindo ver um brasileiro do lado dela, do Mark Rufallo, do Danny Glover e do Gael Garcia Bernal, fazendo filme enoooorme, com grana forte investida e um mundo de gente criticando, porque é assim que vemos que o filme deu certo. well, e sobre as criticas, eu entendo. entendo que o filme é isso e aquilo, e que o Fernando Meirellesé isso e aquele outro, mas mesmo assim eu não posso negar que não posso de maneira alguma ir contra algo que seja tão desesperadamente humano como esse filme é. e angustiante, como a vida é.
amem.
*notaram a placa escrita Brooklin Morumbi no fundo da segunda foto!? que orgulho besta o meu! ate dois anos atras eu passava por ali todo dia...
bom, eu estou lendo um livreto chamado All I want is The Truth, que fala obviamente sobre a vida de John Lennon (sim, ele novamente, sorry!) e eu fico passada porque aprendo uns fatos que me fazem exercitar meu lado psiquiatra, enquanto percebo as coisas que ele acabou fazendo e porque fez o que fez. a história dele é clara, tudo o que aconteceu realmente o formou, não só isso, a época e de onde ele veio também. o mesmo eu digo sobre os seus colegas de beatles, cada um deles (tirando o Ringo que mais uma vez parece que nem muita história tem) acabou sendo exatamente o que precisava ser, como uma grande mostra do que o meio e sua família podem fazer com as suas escolhas. outra coisa interessante é como o John e o Paul se conheceram e como eles se transformaram em melhores amigos, quando um tinha medo do outro, o outro tinha inveja do primeiro. tô passada, preciso dizer. nunca imaginei que daria alguma razão aos estudos que pareciam furados de Freud, meu pai que me perdoe!
Alguém me responde se depois que um livro é posto na estante - um livro bom - para que o leitor o adquira, a sua vida se repete e não tem fim enquanto exista alguém para o ler ou ele morre quando o escritor o termina?
Eu me acostumei a sonhar com os olhos abertos, se os fecho, não tenho a mesma capacidade de visionar palácios, reinos, lagos e pessoas com rostos familiares e outros nem tanto em minhas viagens por terras inóspitas. Penso que foi minha culpa, nunca pensei que pudesse viver sonhos e mesmo assim ser levada a sério por quem era... "real". E de fato por algum tempo não fui levada a sério até que admiti em voz alta que não fazia mais "aquilo", enquanto que ainda de olhos abertos, ouvindo reclamações, caminhando pelas ruas, fazendo compras, trabalhando e dirigindo meu carro me acostumava a sonhar enquanto o mundo rodava a minha volta. O mundo era a minha trilha sonora, meus olhos viam coisas que não haviam. Será que essa foi a melhor alternativa? Não sei. Não sei nem se é alternativa, mas foi uma maneira.
"Ela esperava calada por ele na porta. Descansava a cabeça contra o batente, assistia com paciência as folhas sendo sopradas para lá e para cá, o mundo respirava e ela o deixava participar de sua própria respiração.
Ele aborrecido a seguia, mas parou antes de chegar até ela que estava parada a sua frente, observava aquela que foi a única pessoa que jamais dividiu cada tormento de sua alma com ele, mesmo de longe. Respeitava a si e o seu desespero. Mais do que tudo a respeitava, ela o amara de fato e era dele, para todo o sempre, mas hoje ela partiria.
Sem entender o que fazia, ele a concedeu um abraço que secou o rosto de quem já não aguentava mais chorar."
ele disse "so I'm gonna start a revolution from my bed" e "don't put your life in the hands of a rock'n'roll band that will throw it all away", e eu disse "so sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by..." e o céu se abriu e todo o confete do mundo caiu, logo ali sobre a minha cabeça. "so sally can wait, she knows it's too late as we're walking on by...". a música tocava plena enquanto eu andava vazia por aquela rua mais uma vez. pra que você foi me enganar? e agora me mandar alguém pra abrir meus olhos... desculpe-me, I wont look back in anger... at least not today. e você teve que voltar, olhou de volta, me parou mais uma vez e, como quem não quer nada disse para eu me apressar, a vida - você repetiu algumas vezes - te espera lá fora. e eu respondi certa de que mais uma vez você estava me enrolando como sempre fez, eu resmunguei correta "a vida, honey pie, is inside..."