30.7.08

os livros na minha estante


tem nomes de grandes e pequenos homens, mulheres inteiras ou pela metade, cores distintas e formas sempre parecidas, mas com conteúdos diferentes. existem dos mais conhecidos aos mais desconhecidos, das palavras mais infames até as que de tão doces fazem o céu da sua boca derreter. em cada lombada existe um terço, rezado ou não que suplica para que alguém lhe pegue com força ou com vontade, com dor ou com maldade, para que seja eterno enquanto lido. eles são perfeitos, apresentando apenas meia-palavras coerente e me fazem crer que a verdade é sim invenção quem quer crer. verdade suplica por meia verdade escondida e esses livros em minha estante não crescem nem diminuem de tamanho, são óperas, sonetos, novelas e romances. são fatos, inventados por humanos que de tão humanos chegam a ser hermanos. esses livros na minha estante dilatam pensamento infante, regressam ao conteúdo do montante de gentes que se perdem ao se encontrarem neles... sou tão deles que me entrego sem pensar, e não me repito ao me perguntar: quem são e o que são esses personagens dessa ilha incrível que é minha e quase que não é mais de ninguém?




de boca aberta, literalmente...


bom, hoje presenciei algo estranho, mas foi um tipo de estranho bom do jeito que me deixa feliz. fui a um parque limpo no centro da cidade, com um rio limpo, com pessoas lindas caminhando pra cima e pra baixo, com cachorros sadios, com mendigos.... limpos! com flores plantadas em canteiros lindos, com gente brincando nas águas do rio limpo, com os arranha-céus como plano de fundo. sim! é o que você me ouviu! crianças semi-nuas se jogando nas águas, crianças de todas as cores e credos juntas na água LIMPA, adultos lendo livros deitados na grama, mendigos existentes, mas completamente educados, todos assistindo ao por do sol com as luzes dos imensos prédios em volta ainda acesos... nunca havia imaginado que isso seria possível! mas lembre-se que não é porque não tenho nenhuma fé na humanidade - se bem que infelizmente isso é verdade - mas é porque nasci e fui criada em São Paulo! a terra da garoa, do cinza eterno e do cheiro de urina que fazem parte das características marcantes da cidade.... parque? limpo? no centro da cidade? deus! "tá me zuando?" não, não estou! incrível...
.
.

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e isso me faz querer parar o tempo, só pra eu poder fingir que o resto do mundo é igualzinho a isso aqui.


***


esse parque se chama Confluence Park e fica em Denver, Colorado nos EUA.

28.7.08

michael caine = john lennon com uns trinta anos a mais



sim, é isso que você leu. eu acho que o michael caine tem a cara que o john lennon teria se tivesse vivido pra ser mais velho. alguém deveria fazer um filme contando a vida do lennon caso não tivesse sido morto por aquele lunático em NY, e assim teriam que usar o caine pro papel...

pois ela resolveu...



criar coragem que partiria de qualquer coisa que seria necessária, para que algo fosse tirado do nada.




24.7.08

vh1 rock honors


eddie em um sanduiche de tenacious d (a "banda" de jack black)


AMO!



pretty idle moment

i'm part of this road--
i was seen on this pavement before,
i had dreams and sins printed
on these left side doors--
i had my thoughts brightly filtered
in eyes as grey as these whores',
i brought up words of thoughts
filled with fear, damn old fear--
i never really thought in blocks
but you've showed to me how to
throw back these rocks--
and at what cost?
i'm glad your my main war fought
my biggest cause that's been lost.

the hunger strikes --
it strikes like it shines,
it shines through my bones
my skin
my spine --

i prepare a meal
i wonder why i kept this deal,
you and i alternating spots
on this spoiled field--
wonder why, oh why
i had to heal--
i'll forget to practice
my negative
unwilling yield,

and now i ask
in joyful tone
i'll ask to leave--
promise you
i won't promise a thing
for the winds' been blowing
to hard
for any mend

***

23.7.08

christian bale não mais na cadeia, anistia internacional, gente achando que o mccain é bonzinho e a adélia...

pois é, ontem mesmo o moço saiu da cadeia depois de quatro horas lá dentro, algumas pra esperar e outras pra ser interrogado... e pelo o que eu li em alguns sites de notícia que não me dão muita certeza de nada, parece que a mãe do rapaz insultou sua esposa e ele perdeu o tom! parece também que ele tem passado por um mal bocado depois que o amigo (leia-se heath ledger) morreu no começo do ano... eles ficaram bem próximos depois do filme I'm not there (a história do bob dylan que não é sobre o bob dylan). enfim, hoje também eu recebi minha camiseta do Music for Human Rights, o que me deixou muito felizinha! e um livro chamado "no one here sleeps safely", advinha sobre o que? prisões brasileiras... triste viu! hoje também ouvi a notícia de que algumas pessoas com o título de "economista" na frente do nome acham que o sr. maquiavélico McCain é o melhor para que a economia dos EUA dê um salto... ah sim! só se for de meia dúzia de gatos pingados que DIZEM SER a economia norte-americana eles mesmos! esse mundo ESTÁ perdido...

enquanto isso tudo acontece eu tento não pensar e passear com a adélia... aliás, vejam o vídeo que eu fiz com ela logo abaixo:



tenham uma noite linda!


***

22.7.08

christian bale preso... ai ai ai e agora o que mais vai acontecer?

ok, eu admito que me saboto e acabo eu mesma com minha esperança ouvindo canções como essa: . . .

Where's my hope
now that my heroes have gone?
Some are being beaten
Some are being born.
And some can't tell the difference anymore...*
.
. .
o que esta acontecendo com os meus heróis? estão morrendo, e alguns sendo presos - muito provavelmente por razoes idiotas que não refletem o carater dos mesmos - e outros estão desistindo...
. .(foto do filme I'm not there)


eu poderia inventar mais uma historia, baseada na teoria da conspiração de que para que o filme The Dark Knight quebrasse recordes e fizesse muito mais do que milhões, seus produtores tiveram que inventar a morte do Heath e mandar o Christian pra cadeia. poderia também dizer que por alguma razão estranha, Heath e Christian não se davam bem, então o Batman da vida real pôs um fim a vida de seu arque inimigo, o coringa da vida real de uma maneira em que fizesse todos suspeitarem que tivesse sido apenas uma "morte acidental". poderia dizer também que por vinganca, michelle williams que sabia de toda a tramóia pois heath havia dito que estava sendo perseguido pelo bale em seus últimos dias, expôs toda a verdade para a família do da capa preta e assim os pressionou para o acusarem de qualquer bobagem para ser encarcerado... dessa maneira michelle teria tempo para armar seu plano e arrumar provas para acabar com a liberdade do assassino de seu ex namorandinho e pai de sua filhinha matilda... poderia dizer tudo isso com cara séria e alguém iria acreditar! mas INFELIZMENTE é tudo invencao... e heath morreu porque ouviu muitos médicos demais e christian foi preso porque provavelmente (e isso sim é opinião minha) sua mãe ficou animadinha com a grana que o filhinho fez...
. .
gente! da pra ver na cara deles quem eles eram (e são), ou não? estou enganada!? posso estar...
. .
mas sobre meus heróis estarem morrendo, ah sim... isso eles estão.


***


*amen - Jewel

21.7.08

if only - quarta parte

para quem se perdeu aqui está a primeira parte da história, a segunda e a terceira. a quarta esta fresquinha e postada aqui:


***









"queria tanto poder voltar naquele dia."



camille escrevia com o corpo todo apoiado sobre sua escrivaninha que era a única coisa que ainda não tinha sido desfeita para que pudesse mudar sem muito o que carregar. a mão que segurava a caneta suava, e por muitas vezes tinha que interromper para poder secar as palmas em suas calças jeans.

"foi exatamente uma hora que eu esperei lá fora, querendo te ver dar meia-volta, andando em minha direção e conversando comigo de novo, e desde então eu acho que não tive dúvida, algo muito importante nasceu dentro de mim naquela tarde,mas morreu naquela noite. algo que nem eu mesma sei da existência e nem sei de seu paradeiro... só sei que se foi. eu sei que tudo é muito complicado pra você, mais do que isso, eu acho que tudo é muito complicado pra nós, mas agora que eu vou te ver, não queria que nos víssemos sem que antes você saiba disso..."

a campainha tocou, fazendo camille pular da cadeira com o susto do barulho. largou a caneta e o papel sobre a mesa e abriu a porta pedindo para bubba se sentar.

era o rapaz que estava levando os móveis pra caridade para ela.
ele perguntou se havia mais algo que precisava carregar no caminhão e ela o disse que só mais aquela mesa. queria voltar à carta mas estava ficando tarde e precisava ir.

andou pela casa a procura de alguma outra coisa que talvez tivesse esquecido, mas não encontrou nada. dobrou a carta, colocou na bolsa e ajeitou as coleiras em seus cachorros, pela última vez foi até o quarto e abriu a porta do armário onde o que apenas restava de seu poster era a cola na madeira.


gipsy e bubba a seguiam. dentro do carro ela respirava fundo e sabia que era a vida nova chegando que a deixava mais assustada do que feliz. "a carta..." pensava, "preciso terminar a carta".



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a viagem era longa.

portland até nova york, "no mínimo uns quatro dias!", camille conversava com sua mãe no telefone.

-não mãe, nova york não vai me deixar caduca.
...
-hahahaha pra que né! já sou, não tem como ficar pior.
...
-sei...
...
-eu sei, já sei.
...
-viu, avisa don juan pra aparecer por lá. diz que a irmã feiinha dele tá com saudade.
...
-tá bem mama, ja vou ok? um beijo.


quando já era quase oito da noite, camille começava a ficar muito cansada. parou em um hotel no meio de Idaho em uma cidade chamada Nampa. ao fazer o check-in em um dos únicos lugares que aceitavam cachorros, ela notou o bar do hotel completamente vazio... seria o lugar ideal pra ela terminar aquela carta e a colocar no correio, antes de desistir de fazer isso, também!

se sentou no balcão e pediu uma taça de vinho. o bartender a mostrou uma carta de vinhos e ela só disse:

-ai senhor, escolhe pra mim!

entre um gole e um "obrigada" ao bartender, ela escrevia rápido e agora com outra caneta porque havia perdido a dela.

"antes de mais nada, desculpe minha falta de organização, eu sei, eu sei. comecei a escrever com a caneta azul e to terminando com a caneta preta. nada demais, é a mesma mensagem... enfim, quero que você entenda que o que aconteceu aquele dia foi estranho, muito estranho. mas naqueles segundos eu não pensava em mais nada a não ser o que eu tava fazendo com você. você não é um homem que eu conheci e pronto, você foi minha inspiração pra eu ser gente! ouvia você cantar desde quando era pequena e carreguei camisetas com sua cara estampada nelas durante todos os meus anos tristes e vazios no colegial. você foi minha razão pra ter um motivo pra inventar tanta moda e querer ir atrás de verdades que eu nunca vi antes de ver você. eu não sei o que poderia ter acontecido, e não quero saber. não sei se você tivesse voltado aquela noite eu mudaria de ideia, só sei que... eu estou cansada de deixar isso tudo me perturbar."

- a senhorita quer mais uma taça?
- ai, aceito sim. obrigada.


"não quero que você também me entenda mal, eu não estou dizendo que prefiro você ídolo do que você amigo, só prefiro você, não você e eu..."


assim que escreveu a última linha, camille congelou. não sabia mais o que estava dizendo, não sabia se ele não
estava mesmo nem aí e receberia essa carta dela chegando à conclusão de que ela sim tinha guardado esperanças esse tempo todo. ficou com medo, dobrou a carta, tomou toda a última taça e foi de volta pro quarto. amanhã seria um dia longo.


***

20.7.08

the sea will rise, please stand by the shore


eu acho que o que eu quero falar pro mundo não adianta, já foi falado tantas vezes por vozes tão diferentes da minha e tão infinitamente mais poderosas que a minha, que já não tem mais graça.


mais do que graça, não há mais paciência de ninguém suficiente pra se ouvir tantas vezes a mesma coisa, mesmo que essa coisa seja bem mascarada, nos fazendo achar que não
é a mesma ladainha e sim algo praticamente criativo e único. não existe algo único por principio. não existe principio, a principio. não se existe queda pra lados, palavras que façam completo e imediato sentido, não há solução pra nada, a não ser pro medo. eu acho que achar é coisa de gente que não pensa e eu não acho coisa nenhuma, eu só sei, mas o mundo não é suficiente maduro pra deixar a gente saber - e o mundo que eu digo não carrega o povo nas costas. as vezes a gente quer amarrar sentido em sentido, fazer um colar de miçangas enorme pra dar a volta em todos os pescoços e deixar todo mundo morrer feliz e colorido, mas infelizmente não caio nessa. e muitas vezes a gente quer entender de criar arte dizendo que e único, gente! não é não... fazer o que? feliz, ou infelizmente eu acho que cai nesse entendimento quase que do décimo oitavo andar, mas não doeu, a queda foi praticamente um voo. e enquanto eu ouvia a mesma musica que eu sempre pensei que teria sido escrita por mim se por algum acaso eu fosse outra pessoa com a mesma cabeça, percebi minhas faltas de limitação ao ser tão parecida - e tão única POR ISSO - com quem entendeu de mim antes mesmo de eu nascer.
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tenho dito.