25.6.08

o fim

e por mais que eles quisessem voltar no tempo, não daria pra apagar o que já era certo e fato: o mundo é cruel com quem sabe...

eles recolheram suas coisas, arrumaram a sala quietamente, ela chorava, ele a acalmava sussurrando que a amava enquanto a cadela esperava por eles na porta da casa.

-pronto.
-pegou suas roupas?
-sim. e você?
-estão no carro.
-ok. vou só pegar a comida da leela.
-vai lá, te espero lá fora.

ela foi até a dispensa, pegou o pacote que estava cheio até a metade, apagou as luzes e saiu da casa. ao bater a porta largou a chave caída no jardim da frente e andou em direção ao carro sem piscar. ele estava encostado na porta, fumando e observando cada canto da rua, suas casas e esquinas. quando a viu chegar, abriu a porta pra ela e guardou a ração no porta-malas. ao entrarem no carro o pêndulo que estava preso no retrovisor girava constatemente, irritado ele arrancou o cristal e as penas e os jogou pela janela.

-você nunca gostou dele não é?
-nunca! é presente de grego...

cruzaram os olhares e sorriram um para o outro, mas a explosão tirou a concentração de suas fisionomias. ao olharem para trás viram a sua casa, em chamas. ele ligou o carro e pisou no acelerador sumindo ao dobrar a esquina.

outras casas também iam explodindo e a gritaria começava a tomar conta do bairro...



***

24.6.08

o começo

sabe aquela sensação de que aquilo e só um filme e ao ver a tela voltar a ser só tela, tudo vai ficar bem? dessa vez isso não aconteceria...


eles assistiram a tudo sem desgrudar os olhos da tela.

"em 1913..."

o filme ia longe, quase longe demais. afundo de fatos que, infelizmente, nunca foram historia pra ninguém alem de um punhado de homens - que usaram de um mito pra se protegerem de suas próprias consciências.

"...selado com o único propósito de..."

eles as vezes respiravam fundo. ela, em vários momentos, tinha os olhos cheios d'agua, ele de vez em quando balançava a cabeça, ate o cachorro ficou quieto e imóvel durante as duas horas.

"...você vai começar a perceber mentiras em todos os lugares, vindo te todas as pessoas..."

enquanto o filme passava seus cora coes batiam cada vez mais rápido e o ódio deu lugar ao medo. ao fim das duas horas, eles já não sabiam em que acreditar e achavam medíocre qualquer motivo pra SE acreditar em qualquer coisa.

-não sei o que fazer...
-talvez essa seja a questão.




e o dia acabou num sonho que nunca durou mais do que deveria...





(esse post tem final e ele vem!) ...



22.6.08

ela disse!




“A war is going to destroy our economy even further.
It's going to be a threefold humanitarian disaster.”


***

21.6.08

o gasto que consome o MUNDO


tem gente rindo fácil após esse período em que Bush foi reeleito e que o Iraque esteve (e está) sobre ataque de forças norte-americas e afins.

foram contratadas mais de cem mil empresas PRIVADAS para dar corda e tomar conta da guerra e cada
cinco centavos de cada dólar que o governo controla, vai direto para as mãos dessas empresas. dinheiro que vem, é claro do bolso de quem acorda cedo pela manhã todos os dias e vai para o trabalho miserável que tem e que não pode largar pra sobreviver (alguma semelhança com a forma que nosso governo gosta de tirar dinheiro de nós não é mera coinscidência)... detalhe: essa foi a guerra mais lucrativa de TODAS da história.


aqui estão algumas dessas grandes multinacionais* fazendo grana pesada com a guerra e o quanto já está em seus bolsos gordos:



reconstruções no Iraque e apoio às tropas
D$18.5 bilhões
nome da empresa: HALLIBURTON


engenharia e construção
D$5.3 bilhões
nome da empresa: PARSONS

treinamento de oficiais
D$1.9 bilhões
nome da empresa: DynCorp International


aeronaves de vigilância
D$5 milhões
nome da empresa: TRANSATLANTIC TRADERS


segurança privada de Paul Bremer
D$21 milhões
nome da empresa: BLACK WATER


serviços de interrogatório
D$22 milhões
nome da empresa: C.A.C.I




*dados retirados do documentário Iraq for Sale



tenha um ótimo fim de semana.

***

19.6.08

as cartas que não foram

querido John,


eu já te disse que não vou começar as frases com maiúscula, já mencionei na outra carta que isso está fora de mim! apreciei muito sua visita o outro dia e é incrível como seus olhos não mudaram nada e como na verdade você não envelheceu, da maneira que pressupus e que imaginei quando assisti aquele filme, os filhos da esperança, sabe? aquele que eu ainda acho que você deveria ver!

ha! já ouço sua voz lendo esta e respondendo bem alto entre um trago do cigarro e outro:

-tenho coisas mais importantes pra fazer!

também quero dizer que não concordo com metade do que você falou pra mim. acho com certeza que isso também é maravilhoso, eu poder ouvir, de um jeito ou de outro, você me dando esses conselhos todos quando nunca os seguiu! não quero conselhos, john. quero você sendo, sabe como é? só estar já está bom e eu não estou preocupada com o futuro agora, quero ser. e assim, ouvindo de você tantas coisas que me deixaram chocada, fico me perguntando se ficarei da mesma forma, dura e com os braços pesados, completamente sem reação e cansada como você. acredito que sei que você cansou e sei que depois de um certo tempo a gente cansa mesmo... mas, porque?

isso me enerva john, e me enerva sabe o que? ter que chorar dessa dor! porque não posso chorar da dor do mundo? sim, sim, já ouvi você aí do outro lado lendo e falando alto esfumaçando esse cigarro:

-mas você já chora demais! tem que parar!

e eu no entanto continuo querendo mais! como se fosse eu a sarda do mundo! serei eu, a sarda do mundo?

-ha!

você dá risada com essas coisas né? e de uma certa forma amo teu cinismo porque não é forçado e é infeliz. se é que existe isso. um dia nos entenderemos melhor...


até lá, meu amigo morto, invejado e destruído, temos muito o que pensar!


sua, eternamente,


Johanne

água de beber

eu não tenho idéia do porque que os passáros voam, peixes nadam, humanos inventam.

eu não tenho idéia porque idéia não se tem, se permite, e permitir idéia é quase assim, quase um julgar, por um segundo ou talvez dois ou talvez uma eternindade, é um julgar. se deus é um conceito, os céus são uma metáfora e o amor é um verbo, genialidade é o que? ponto e vírgula, é o que? se a beleza está nos olhos de quem vê, quem não vê não se permite estar em contato da beleza? quem não resta, não empresta? quem não está já se foi? quem passou no teste ficou de ressaca porque perdeu a prova, quem venceu na corrida ficou na guarda porque desligou o motor... john era walrus, mas se foi sendo john, bossa nova virou fossa e ficou triste por intento... eu não sei se sou de ouros ou de paus, mas a cuca já se fundou de tanto resposta esperar.

as portas vivem abertas, o samba vive saindo por elas...

e lá fora os olhos todos buscam por algum furacão.

18.6.08

fotobiografia de Clarice Lispector


que coisa mais louca! parece que depois que eu comecei a devorar Clarice Lispector, todo o mundo fala sobre ela também! até aqui já ouvi gente falando sobre ela e sua obra, e qualquer site de notícia ou blog que encontro me mostra algo relacionado à bela... enfim, quem vive no Rio tem que ir ao lançamento da fotobiografia de Miss Lispector. acontecerá nos salões do edifício Petit Trianon, sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio (av. Presidente Wilson, 203, Castelo; tel. 0/xx/21/3974-2500), na quinta-feira dia 19, amanhã!

mais detalhes
aqui.

e pra quem ainda não leu Aprendendo a viver, é bom que vá já até a livraria mais próxima e compre o livro! ou vá a biblioteca! ou procure partes dos textos online, qualquer coisa!


tenha uma boa tarde, hoje mais positiva...


***



17.6.08

muita indecência


o IMBECIL do McCain (se você não sabe quem é, bom pra você, porque não faz diferença nenhuma agora) declarou que vai devotar parte da grana do governo e seus trabalhadores (ou melhor: as VIDAS deles) pra procurar petróleo na COSTA norte-americana! daí, um bando de velhinhas de bengalas senis gritam "yeahhhhh!" e votam pro maldito. AGORA é a hora de NÃO se depender de petróleo, de buscar algo novo, diferente, correto - pra variar um pouco - e não continuar com o mesmo vício e ganância que fez desse país um dos mais mal vistos no mundo! sabe o que eu vou fazer se esse imbecil ganhar?

CAIR FORA!


tenham todos uma linda noite.


16.6.08

desprevenida




me sentei desconfortavelmente confortável diante dos dois rapazes que desapercebidos tocavam suas primeiras notas. digo desconfortavelmente confortável pois sentei-me da maneira que pra mim e a mais confortável de todas, costas eretas, pernas cruzadas e mãos postas uma sobre a outra, ambas sobre a coxa, mas fiquei desconfortável pois a minha volta todos me olhavam e seus olhares diziam "porque ela e tão esnobe a ponto de se sentar assim?". digo rapazes desapercebidos pois percebi logo de cara, delicadas frustra
çoes a caminho, especialmente sobre o menino do canto esquerdo, que tocava cabisbaixo, mas com um amor tão forte por aquilo que fazia que me trazia lágrimas aos olhos, mas não poderia ceder a minha imagem de esnobe grã-fina brasileira, afinal não e exatamente o oposto que o mundo espera de mim?

descruzo as pernas e as deixo soltas, tento curvar a coluna, mas não há maneira de me sentir bem, volto ao meu nariz empinado dado grato a mim e ao show de uma pessoa só, acompanhada de um fantasma que não percebe o tesouro que tem ao seu lado.
chega o momento do intervalo e o menino sai e vai fumar la fora. pego minha xícara de café e vou sentar ao seu lado.

-meu irmão não veio.


eu já sabia que ele estava esperando gente que nunca chegou.


-seu irmão falou que vinha?
-sim, confirmou! mas acabou de dizer que surgiu um imprevisto.

a noite vai ficando mais densa, e o cigarro do rapaz mais brilhante.


-meu pai avisou-me que se eu tocasse novamente, que eu não esperasse por ele.
-disse isso?
-sim!

-mas seu pai e horroso!

-sim, eu sei.


de dentro ouvíamos risadas e mais risadas, pessoas conversando sobre coisas extremamente inúteis.


-sabe o que e mais engraçado?

incrédula de que qualquer coisa que tenha me dito ate então era engraçado, perguntei:

-o que?
-muitos amigos meus, que também tocam, e que eu faço questão de ir aos shows e apoiar, nunca vieram me ver.


minha garganta ficou seca e a ele pouco importava meu nariz empinado. coloquei a xícara no chão, ao lado do banco e apenas observei as folhas na grande e antiga árvore que estava a nossa frente, grande sombra nessa noite de sombras. ele se levantou, levou o cigarro ate um cinzeiro que ficava do lado de fora aos clientes e o apagou, parou de frente pra porta, de costas pra mim e disse quase baixinho demais:

-já estou acostumado.


e minha pose se desapossou de mim.


***

15.6.08

it's growing fat on our children's fear






foto por
Amir Cohen/Reuters